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A nossa história

Ato Dilma RioEstamos fazendo história. Melhor, estamos fazendo a história. Estamos construindo uma alternativa, mambembe, caótica, desorganizada, sem saber muito bem onde quer chegar, mas uma alternativa.

Enquanto outras histórias são feitas, costuradas nesse tecido, fomos capazes, talvez sem aquela ousadia que tanto sonhamos, sem o encantamento que queríamos, mas fomos capazes de fazer diferente. De encarar o monstro de frente e tentar fazer um país diferente dos demais.

Ousamos incluir pessoas que não existiam, num mundo que cada vez mais exclui pessoas das necessidades básicas. Ousamos tirar o país do mapa da fome, dar comida a quem sequer tinha condições de ficar de pé.

Ousamos dar educação, não aquela que sonhamos que poderíamos dar, a pessoas que não teriam nunca educação nenhuma. Ousamos permitir que o filho do pedreiro possa ser doutor.

Ousamos dizer que as riquezas dessa terra, desse mar, debaixo desse mar, são nossas. Ousamos dizer não aos poderosos de sempre, mesmo que alguns deles posem ao nosso lado nas fotografias. Sabemos que os rumos dos nossos sonhos estão em nossas mãos, embora muitas pedras hajam no caminho.

Ousamos sonhar com uma campanha militante, na rua, junto ao povo. Ousamos colocar no cargo mais alto da nação uma mulher. Uma mulher que, se não encarna os trejeitos dos grandes líderes, soube aos poucos se impor. Aprendeu a passar a simpatia, mesmo dura, séria.

Ousamos construir uma alternativa. E estamos construindo. Independentemente do resultado de logo mais, algumas coisas já ganhamos. O chão da rua, tão afastados de nós, é de novo nosso companheiro. As ruas foram pintadas de vermelho, na esperança de continuarmos avançando no nosso sonho de uma vida mais igual, plural, colorida e alegre. Avante, companheiros.

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A nova política é diferente

É impressionante que, em pleno século XXI, a gente ainda faça uma discussão política pré-eleitoral baseada em slogans e palavras de ordem vazias. A eleição parece uma competição para quem lança a palavra de ordem mais original, quem passa a imagem de ser melhor preparado e jogar melhor o jogo da marquetagem.

É impressionante também o tamanho da discussão em torno da religião. Gente, essa coisa de divisão da igreja e do Estado é antiga pacas, para usar uma expressão quase tão antiga.

Sei que há muito de emocional no voto, mas, dada a conjuntura internacional, não podemos mais nos dar esse direito. Digo isso, porque vivemos um período de extrema concentração de recursos no mundo todo. Não sou eu quem diz isso, é a ONU, aqui. Então num mundo que acabou (será?) de viver sob a hegemonia dos EUA a partir do que ficou conhecido por Consenso de Washington, parece, agora, apresentar alguma mudança a partir do início do século.

Por isso podemos afirmar que o que há de mais novo no cenário internacional não é o capitalismo verde, nem a terceira via européia, nem o movimento antiglobalização, ou a sua versão mais moderna, ou as primaveras, os Black blocs, os coletivos anarquistas etc. onde o indivíduo toma uma espaço gigante na construção de narrativas.

O que tem de mais novo na conjuntura internacional, e que é capaz de atormentar o centro do poder mundial é o que vemos hoje na América Latina, principalmente no Brasil. Não pensem que fazer o que se tem feito nessa região é fácil. Vai na contramão do status quo e mira a principal mazela do mundo globalizado: a exclusão de milhões de pessoas da vida quotidiana, desde a produção até o consumo, não só de supérfluos, mas do essencial à vida. Essa exclusão é necessária ao sistema para que se garanta os ganhos de quem manda.

Por mais que pareça pouco, eu realmente não quero retroceder nessas conquistas e muito me preocupa o próximo período.

Quero encarar o difícil desafio da mudança, com seus atropelos e avanços.  Não dá para ficar somente afirmando e reafirmando belas posições e belas palavras de ordem. Os desafios do nosso tempo são gigantes, assim como sempre foi a luta dos trabalhadores contra a exploração. Quero tê-los em meu horizonte e, principalmente, tê-los no milhões de quilômetros já percorridos dessa luta.

 

PS: o Azenha, com muito mais competência traça o panorama internacional e o papel da América do Sul nele a que me refiro, aqui

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Arquivado em Eleição, Política internacional

Agora é a hora

A principal lembrança que eu tenho da eleição de 1989, logo depois do segundo turno é da desilusão do meu pai. Sentado na varanda afogando, num copo de whisky, o que tinha sobrado de esperança de uma vida de luta depositada na eleição de um metalúrgico retirante no final da década de 1980. Meus pais, como meus tios e parte considerável da minha família, passou boa parte das suas vidas lutando por um país mais justo.

Fico imaginando o que passava na cabeça deles naquele momento. “Será que nunca vamos poder ver essa tal revolução pela qual tanto lutamos?” Pois, após alguns anos de desilusão do neoliberalismo adentrando corações e mentes mundo afora, podemos enfim eleger nosso metalúrgico, no início do século XXI. Não mais portador das teses das revoluções do Sec. XX, mas dono da grande esperança de tempos melhores.

Após a eleição do Lula, o PT passou por mudanças, aprendeu a controlar a máquina estatal, conseguiu, através dela, reformas na economia e no estado que tiraram da miséria milhões de pessoas. Fico imaginando o que passaria na cabeça deles agora. Não mais com a mesma carga ideológica, mas com algumas mudanças significativas no capitalismo brasileiro, fomos capazes de tirar milhões da miséria. De fazer o país mais desigual do mundo um pouco menos desigual. Enfim, o torneiro mecânico foi, com certeza, o melhor presidente que o Brasil já teve. Com certeza meu pai estaria feliz com o governo Lula.

Agora é a hora de fazer a primeira mulher presidente da república. Agora é a hora dessa mulher ser uma mulher de esquerda. Do principal partido de esquerda do Brasil e quiçá, do mundo. A hora de fazer o Brasil entender qual é o seu caminho.

Agora é a hora de dizer que não queremos o retrocesso do governo passado. Queremos continuar avançando na construção de uma sociedade menos desigual, com oportunidade para todos. Que no fim é o que nós sempre desejamos para esse país cheio de possibilidades.

A vitória de Dilma é muito mais do que um joguinho de poder. É a possibilidade concreta do jogo democrático ser decidido por questões politicas. Por que ela é o melhor quadro para ser presidente? Porque foi ela que reorganizou o governo. Ela é a responsável pelas principais ações do governo Lula a partir de 2005. As políticas que melhores deram resultados, mudaram a vida de milhões de pessoas. Simples assim.

A hora é essa.

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