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A nova política é diferente

É impressionante que, em pleno século XXI, a gente ainda faça uma discussão política pré-eleitoral baseada em slogans e palavras de ordem vazias. A eleição parece uma competição para quem lança a palavra de ordem mais original, quem passa a imagem de ser melhor preparado e jogar melhor o jogo da marquetagem.

É impressionante também o tamanho da discussão em torno da religião. Gente, essa coisa de divisão da igreja e do Estado é antiga pacas, para usar uma expressão quase tão antiga.

Sei que há muito de emocional no voto, mas, dada a conjuntura internacional, não podemos mais nos dar esse direito. Digo isso, porque vivemos um período de extrema concentração de recursos no mundo todo. Não sou eu quem diz isso, é a ONU, aqui. Então num mundo que acabou (será?) de viver sob a hegemonia dos EUA a partir do que ficou conhecido por Consenso de Washington, parece, agora, apresentar alguma mudança a partir do início do século.

Por isso podemos afirmar que o que há de mais novo no cenário internacional não é o capitalismo verde, nem a terceira via européia, nem o movimento antiglobalização, ou a sua versão mais moderna, ou as primaveras, os Black blocs, os coletivos anarquistas etc. onde o indivíduo toma uma espaço gigante na construção de narrativas.

O que tem de mais novo na conjuntura internacional, e que é capaz de atormentar o centro do poder mundial é o que vemos hoje na América Latina, principalmente no Brasil. Não pensem que fazer o que se tem feito nessa região é fácil. Vai na contramão do status quo e mira a principal mazela do mundo globalizado: a exclusão de milhões de pessoas da vida quotidiana, desde a produção até o consumo, não só de supérfluos, mas do essencial à vida. Essa exclusão é necessária ao sistema para que se garanta os ganhos de quem manda.

Por mais que pareça pouco, eu realmente não quero retroceder nessas conquistas e muito me preocupa o próximo período.

Quero encarar o difícil desafio da mudança, com seus atropelos e avanços.  Não dá para ficar somente afirmando e reafirmando belas posições e belas palavras de ordem. Os desafios do nosso tempo são gigantes, assim como sempre foi a luta dos trabalhadores contra a exploração. Quero tê-los em meu horizonte e, principalmente, tê-los no milhões de quilômetros já percorridos dessa luta.

 

PS: o Azenha, com muito mais competência traça o panorama internacional e o papel da América do Sul nele a que me refiro, aqui

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Arquivado em Eleição, Política internacional

Multidões em marcha

“Os donos do mundo piraram
Já são carrascos e vítimas
Do próprio mecanismo que criaram”
R. Seixas

protestos em londres

A Europa vive o pesadelo das multidões, com ou sem rumo, em marcha. O medo das elites, que construiram esse mundo desigual em que vivemos nas últimas décadas, se explica pela exclusão dos diferentes. Esses diferentes, excluídos, viraram indignados. São excluídos da maravilhosa vida propagada e construída por uma nova ordem mundial, baseada no consumo, mas só dos poucos incluídos. Aos que não pertencem a esse seleto grupo: ao gueto. Continuar lendo

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Em tempo – nova edição no ar

Democracia Socialista

Democracia Socialista

Acesse o conteúdo da 24ª edição do jornal Democracia Socialista/Em Tempo!
25/11/2009. Você já pode acessar os textos da 24ª edição do jornal Democracia Socialista/Em Tempo! Em breve, a versão para impressão será disponibilizada neste sítio. A impressão e circulação do jornal é de responsabilidade das coordenações estaduais da DS.Nosso jornal está em fase experimental, por isso, comentários, opiniões e sugestões são muito bem-vindos. Boa leitura!

Editorial
Notas
Memórias da Liberdade
Às vésperas do PED
Luizianne presidirá o PT no Ceará
Sintomas de um período pós-neoliberal
O Uruguai volta às urnas
A ecologia do desenvolvimento

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10 anos de Seattle

manifestação em Seattle

Não lembro qual foi o dia exato da extraordinária manifestação que parou a reunião da OMC em Seattle em 1999. Não importa. Já são 10 anos que o mundo vem dizendo que o sistema que vinha sendo gerado a partir das reorganização da ordem mundial do pós-guerra, freada um pouco pela guerra-fria, não serve para a humanidade.

Em 1972, a primeira experiência real, Chile. Golpe militar afastando um governo de esquerda legalmente eleito. Um campo para experimentar o novo conceito. Aquela receita que conhecemos bem: privatização, Estado mínimo, farra financeira etc. A partir daí, essa prática se espalha pelo mundo ocidental, ampliada pelos governos Reagan e Thatcher, na década seguinte. Após a queda do muro de Berlim, que separava o mundo em 2 (talves 3 ou mais, mas não importa agora), caminho livre para as práticas do mercado. O sedutor jogo das apostas financistas estava ganho. A história acabou.

Adentramos a década de 1990 consensuados por Washington. O mundo deveria aprender a remar em uma só direção, com uma só cabeça pensante, mandante. Mas, uma década de crises repetidas, de países quebrando uns atrás dos outros, levou ao testemperos suas populações.

E, no coração do império, vimos a primeira grande manifestação contra as novas formas de poder, os organismos multilaterais, capachos do consenso, que impuseram o seu modelo à custa de muitas vidas. Seattle não foi o primeiro grito daqueles que sofriam na pele as intempéries do sistema. Os Zapatistas, no méxico, já havia gritado ao mundo, através da internet. Os Sem-Terras, no Brasil, atráves de suas marchas, suas ocupações. Eram os excluídos de um sistema acostumado às gritaria das bolsas de valores, em prédios fechados, acarpetados, com ar-condicionado.

De lá pra cá muita coisa mudou. A partir das seguidas manifestações foi possível construir espaços mais privilegiados de articulações políticas como o Fórum Social Mundial e suas consequentes manifestações, até 2003 contra a guerra do Iraque, a maior manifestação já organizada que se tem notícia.

Certamente esse processo contribuiu em muito para o momento que vivemos. A luta organizada foi importante para a institucionalização da resistencia que culmina nos governos de esquerda eleitos na América Latina e a melhora de vida de suas populações, comprovadas pela popularidade de seus dirigentes.

É, como disse Emir Sader, “Podemos dizer que o novo cenário latinoamericano é herdeiro das lutas de resistência da década de 1990 e, em particular, das espetaculares manifestações de Seattle, que marcaram o fim da lua-de-mel neoliberal e o começo da construção do “outro mundo possível”, do pós neoliberalismo latinoamericano.”

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