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Cuba, do século XX para o futuro

Cuba, hoje, parece um terra de oportunidades. Está se integrando ao mundo do século XXI sem ter passado pelos turbulentos anos 2000.

foto de carros antigos reformados em Cuba

Coches Viejos para pessoas Rosas

A impressão que temos de Cuba, mesmo que já seja uma imagem batida,  é que ela está parada no tempo. Talvez nos anos 1950 pré revolução, se, por exemplo, olharmos a frota de automóveis, que já viraram um símbolo da simpática ilha.  Esses automóveis são também um símbolo da Cuba contemporânea e expressam uma certa desigualdade do país. Vemos alguns deles reformados, como novos, impecáveis, brilhantes, coloridos, em grande parte conversíveis, voltados exclusivamente para o turismo de “alto consumo”. Normalmente europeus de meia idade ou norte americanos. As pessoas rosadas com chapéus panamá recém adquiridos nas novíssimas “tiendas” de Habana Vieja.

taxi com luz azul no interior

taxi com luz azul no interior

Há também, outros coches viejos, reformados, mas não tão brilhantes como os primeiros, que circulam  pelas ruas servindo de táxi  a turistas não tão abastados, não tão rosas e, talvez, sem chapéu. São, também, belas peças que traduzem a capacidade de superar dificuldades da população cu’ana (os cubanos falam como se tivessem um ovo na boca e engolem o “b” às vezes. Além disso falam rápido pra c…).

E há, por último, os carro que são velhos mesmo. Acabados, com a lataria amassada, com remendos aparentes, que servem de táxis coletivos para os cubanos e, na maioria das vezes, são pagos em pesos, ou moneda nacional não em CUCs. Porém, funcionam e cumprem sua função.

Os Coches são, assim, a personificação (?!) da Ilha. Divisões, há. Pero no mucho. É tudo velho, mas com alguma reforma. Assim como o segundo e o terceiro tipos de carros, os cu’anos são craques em se reinventar. Se inventam peças para os automóveis, também inventam formas de viver no aperto no mundo contemporâneo.

A própria existência e circulação de duas moedas, Pesos (moneda nacional) e Pesos Convertíveis (CUC), demonstra uma tentativa de equilibrar a crescente desigualdade gerada pelo turismo, ao mesmo tempo uma reinvenção do seu próprio dinheiro, em contraposição à circulação ilegais de dólares no país.

Bloqueo: el genocidio mas largo de la história

Bloqueo: el genocidio mas largo de la história

Foi assim que sobreviveu ao bloqueio que condenou a Ilha ao século XX, de onde ela tenta, agora, se reerguer.

E tenta se reerguer a partir da criatividade do seu povo.

Se não tem acesso à internet de qualidade ou aos meios pelos quais circulam os produtos comerciais da informação/comunicação/cultura dão um jeito de acessá-los. Conhecemos uma cubana de Santiago, que estava no congresso. Ela, professora da Faculdade de Comunicação da Universidade do Oriente (Santiago), nos explicou que paga 5 pesos, moeda nacional,  no paquete de 4Gb de informaciones duas vezes por semana. Assim, levando o seu próprio pendrive, que depois ela pluga direto na TV, tem acesso aos seriados norteamericanos, filmes de Hollywood e, claro, novela brasileira. Tudo já dublado para o castelhano.

A propriedade intelectual parece não valer muito por lá. Fato curioso aconteceu quando fui levar os slides da apresentação no congresso. Levei o pendrive com a apresentação para a secretaria e, por acaso, era o pendrive que estava no som do meu carro (aqui no Brasil) e, portanto, continha músicas, brasileiras, claro. O sujeito que recebia a apresentação não se fez de rogado. Com a lista de arquivos na tela do windows XP, perguntou logo quais delas eram Samba. Apontei logo um disco da Beth Carvalho e outro do Paulinho da Viola, que foram imediatamente copiados para a área de trabalho e já devem estar incorporados a algum paquete de informação (foi mal Warner, Sony, Globo ou qualquer outra proprietária dos direitos intelectuais desses e outros artistas, rsrs).

Mas somente o acesso aos bens de consumo cognitivos não faz país nenhum entrar no século XXI e Cuba tenta reinventar a sua própria economia. O aluguel de quartos para turistas, antes tolerados, agora são legalizados. É super comum, pelo menos em Havana, turistas ficarem em quartos “particulares”.  Já é possível ter alguns negócios, para além dos paladares (restaurantes familiares que foram os primeiros negócios legalizados na Ilha, ainda na década de 1990), e se isso representa algumas oportunidades, é também fator de desigualdade social.

Prédios reformados em Havana Velha

Prédios reformados em Havana Velha

Em outro momento, uma outra professora, esta de Havana mesmo, sentou ao nosso lado na mesa do almoço. Descobrimos depois que se tratava da responsável acadêmica do congresso. Ela, que depois estaria na mesa de encerramento do congresso, assim como os demais palestrantes, almoçavam junto com todos os participantes em pé de igualdade. Mais uma lição de Cuba: sem VIPs. Ela nos contou que existem hoje pessoas milionárias em Cuba, que possuem extensões (não sei precisar o tamanho) de terra, produzem alimentos, como carne de porco, por exemplo, e com isso conseguem acumular bastante riqueza.

Outros negócios prosperam também. Esses novos negócios, ligados ou não ao turismo, poderiam ser organizados de forma a se criar uma nova economia, baseada no bem comum, na socialização de recursos, na construção coletiva de alternativas. Mas isso não parece acontecer.

Preparação de mojitos em La B del M

Preparação de mojitos em La B del M

A resistência aos modelos de acumulação parecem vir mesmo do governo. Dessa forma, para tentar frear essa onda de desigualdade, onde as pessoas que trabalham com turismo tem a possibilidade de ganhar muito mais dinheiro que os demais trabalhadores,  o governo criou um empresa que participa dos principais empreendimentos comerciais voltados ao turismo como forma de garantir uma melhor distribuição da renda que entra por essa atividade comercial, que é a principal na Ilha. Pelo menos foi isso que entendemos da explicação que nos deu um garçom em um dos restaurantes que possuía o selo  Habaguanex  (Se algum dos meus 6 leitores tiver mais informações sobre isso, pode me corrigir em um comentário que faço as alterações no texto.).

Essa impressão, sobre a distribuição da renda do turismo que entra na Ilha agora, também tivemos em conversa com pesquisadores da área da saúde, já conhecidos de longa data e com passagem por diversos países. Eles tiveram o salário dobrado nos últimos anos, passando, agora, a 100 dólares/mês. Muito pouco e ainda não suficiente para uma vida próspera. Tanto é que seus dois filhos, médicos, saíram do país em busca de melhores condições. Do casal, enquanto ele parecia ter uma visão mais otimista do processo de abertura, ela nos pareceu mais pessimista. Talvez por ter os dois filhos longe.

 

Velhos cubanos dando um jeitinho na antena

Velhos cubanos dando um jeitinho na antena

Por essas e por outras que Cuba parece uma terra de oportunidades. Terra onde se pode construir um acesso à internet que não seja comercial, mas cidadão a partir de ferramentas coletivas, construídas não a partir da apropriação do conhecimento, mas a partir de um conhecimento coletivo gerando novos valores. Ao invés de usar ferramentas proprietárias para o acesso à internet, Cuba poderia desenvolver e distribuir ferramentas livres. Essa seria uma boa maneira de integrar seus jovens, ávidos por adentrarem no maravilhoso mundo digital, sem dá-los de bandeja aos comedores de mentes do Google, do Facebook ou da Apple.

Essa pirataria, a qual Cuba esteve presa ao longo desses anos, aos poucos está transformando os modelos de negócios de forma que o consumidor tenha acesso aos bens cognitivos, mas não precisa mais desembolsar grandes quantias de dinheiro. É o tal do streaming, que explora ainda mais o trabalho de artistas se apropriando do valor gerado por suas produções.

O que vemos nas ruas, em determinados pontos, é uma grande quantidade de pessoas portando aparelhos (smartphones, tablets, computadores) buscando a precária e cara rede wifi da companhia telefônica. Esses aparelhos são, na maior parte das vezes, proprietários e os acessos, em geral, são ao Facebook, Twitter e Imo.

Como, ao contrário dos outros países, Cuba não estava integrada à rede no período de desenvolvimento dessas ferramentas, podemos dizer que não está contaminada pela produção mercadológica dos bens cognitivos. Nós, ao contrários, vimos essas empresas serem criadas e fomos absorvidos aos poucos. Cuba ainda pode se integrar, sem passar por essa disputa. Acredito.

Meninos jogam futebol em praça de Havana

Meninos jogam futebol em praça de Havana

As marcas, o imaginário, o pertencimento e a subjetividade do capital já parece fazer parte do país. Não a toa afloram camisas de times de futebol europeus, principalmente o Barcelona, que parece contaminar a todos no mundo inteiro. O futebol parece ter chegado firme, inclusive. Em todas as praças podemos ver garotos improvisando gols para uma boa pelada. Até fiquei com vontade de participar, mas a correria de poucos dias na cidade não me permitiu arriscar.

Assim vemos Cuba ingressar no século XXI gerando preocupações de esperanças. Preocupações de que as conquistas de um povo massacrado pelo mais longo bloqueio da história, baseadas na solidariedade e na criatividade, sejam absorvidas pelo modo de vida padronizado do consumismo capitalista. Porém, pelo seu histórico, Cuba pode nos surpreender e apresentar uma forma ainda solidária e comum de ingressar no maravilhoso mundo novo da informação e tecnologia em que vivemos. A ver os próximos capítulos.

 

Mais fotos em https://goo.gl/photos/zHMAj3tepCWdQ3Un9

 

 

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A democracia está sendo transformada pelas redes sociais.

Uma excelente entrevista de Ronaldo Lemos sobre democracia e redes sociais da ao portal IHU da Unisinos.

Um novo modelo democrático pode emergir a partir das redes sociais porque há uma demanda mundial por transparência nos sistemas político, econômico e social. Esse processo já está em curso e é potencializado a partir da democratização do acesso à internet. O fenômeno avança, segundo Ronaldo Lemos, porque “a política não se confunde mais com o sistema político tradicional, especialmente com sua organização institucional em partidos políticos”.

Diferentemente das manifestações que se sucedem na Europa, Lemos frisa que o potencial de mobilização brasileiro nas redes sociais ainda não se concretizou porque a economia e a política estão estabilizadas. “Mas aos primeiros sinais de desarranjo ou tensão social mais pronunciada, podemos ter certeza de que veremos esse potencial realizado. Sem perceber, os brasileiros estão aprendendo o be-a-bá do ciberativismo nas suas práticas cotidianas na rede”, constata.

Na entrevista a seguir, concedida à IHU On-Line por e-mail, Lemos enfatiza que a participação de estratos sociais das classes C, D e E nas redes sociais “terá um impacto cada vez maior na política”. Isso porque, hoje, as 109 mil lan houses existentes no país contrastam com “2,5 mil salas de cinema, 5 mil bibliotecas públicas ou 2,6 mil livrarias”.

Ronaldo Lemos é diretor do Centro de Tecnologia e Sociedade da Escola de Direito da Fundação Getúlio Vargas, no Rio de Janeiro, e diretor do Creative Commons Brasil. É professor visitante na universidade de Princeton (nos EUA), professor titular e coordenador da área de propriedade da Escola de Direito da Fundação Getúlio Vargas no Rio de Janeiro. Fundador do Overmundo, pelo qual recebeu o Golden Nica do Prix Ars Electronica na categoria Comunidades Digitais. Foi presidente do iCommons de 2006 a 2008, organização voltada ao compartilhamento de conteúdo online.

Confira a entrevista.

IHU On-Line – A partir das redes sociais e das novas manifestações, pode surgir um novo conceito de democracia, que vá além da democracia parlamentar?

Ronaldo Lemos – Sim. E isso já está acontecendo. A política não se confunde mais com o sistema político tradicional, especialmente com sua organização institucional em partidos políticos. Um dos impactos das novas tecnologias é o fato de a questão da legitimidade ter voltado a possuir importância na sua dimensão substancial. O sistema político atual acaba privilegiando mecanismo de legitimidade formal, como o voto. Uma vez contados os votos, qualquer tipo de “recall” seria a exceção, aplicada a casos eventuais. No entanto, com as mídias sociais difundido-se cada vez mais, multiplicam-se as questões substantivas e a possibilidade de responsabilização dos agentes públicos de maneira contínua. Isso obviamente abre um descompasso entre os mecanismos formais de legitimação com a possibilidade permanente de debate substantivo das políticas públicas.

IHU On-Line – Então, as manifestações iniciadas nas redes sociais e que ganham as praças da Europa, por exemplo, podem transformar o conceito de democracia que conhecemos hoje?

Ronaldo Lemos – A democracia, como tudo mais, já está sendo profundamente transformada pelo turbilhão de novas mídias que se disseminam. Cada vez que uma mídia nova surge, emergem novos hábitos e práticas, alguns incontroláveis e outros imprevisíveis. Foi assim com a imprensa, o rádio e a TV, que mudaram profundamente a forma de fazer política. O mesmo acontece agora. Só que, nos últimos quinze anos, as mudanças nessa mídia, que começa a ganhar terreno cada vez maior socialmente, foram muito profundas. Não dá para achar que a democracia vai escapar das transformações provocadas por ela.

IHU On-Line – Como vê a iniciativa do governo islandês, que propõe a criação de uma nova Constituição redigida na internet, com a participação da sociedade?

Ronaldo Lemos – O exemplo da Islândia chama a atenção exatamente para a possibilidade de participação política contínua, que não se resume ao voto. Um dos membros do conselho constitucional, Thorvaldur Gylfason, afirmou exatamente isso: que no modelo tradicional, os cidadãos seriam chamados apenas ao final do processo, para referendar formalmente um texto produzido por um conselho fechado. Já com a redação online da sua Constituição, os islandeses estão sendo chamados a participar a todo momento durante a formulação do texto.

IHU On-Line – O que a Islândia pode ensinar ao Brasil e ao mundo com esta iniciativa?

Ronaldo Lemos – A Islândia mostra caminhos para a democracia e mostra que existe um déficit crescente de participação pública na medida em que se amplia o acesso à internet e outras mídias participativas. O exemplo islandês também é importante para mostrar a possibilidade do compartilhamento de responsabilidades. Governar é saber coordenar diferentes atores sociais, como o setor privado, a sociedade civil e assim por diante. Canais de participação ampliados ajudam a romper com ideias paternalistas sobre o Estado e visões românticas de que cabe ao governo resolver tudo. Desse modo, para além das formas de participação ampliadas, acredito que a tecnologia abre o caminho para o compartilhamento de responsabilidades pela tomada de decisões políticas.

IHU On-Line – O que há de novo nas manifestações políticas manifestadas nas redes sociais?

Ronaldo Lemos – Uma das novidades mais importantes é a demanda por transparência. Se a ideia é elevar o nível de participação pública e a qualidade do debate, é fundamental que os dados governamentais estejam disponíveis para análise pública. Dessa forma, surgem em todo o mundo movimentos que demandam a divulgação ampla dos dados gerados pelo governo. Mas não adianta só divulgar. Isso tem de ser feito em formatos que possam ser processados digitalmente por qualquer pessoa. Por exemplo, alguém pode criar um aplicativo cruzando dados do transporte público com criminalidade, estabelecendo correlações que antes não eram óbvias e favorencendo aprimoramento das duas questões. Para que isso aconteça, é fundamental ter acesso aberto à quantidade imensa de dados coletados por órgãos públicos.

IHU On-Line – Como a internet e a interação que se dá nas redes sociais suscitam a democracia?

Ronaldo Lemos – A rede ampliou a esfera pública de forma pronunciada. Mais do que isso, na medida em que a inclusão digital avança no Brasil, passa a participar dela um contingente enorme de pessoas que jamais teve voz, exceto pelo procedimento formal do voto. Vale lembrar que o Brasil tem hoje 109 mil lan houses, o que contrasta com suas 2,5 mil salas de cinema, 5 mil bibliotecas públicas ou 2,6 mil livrarias. A lan house é um espaço público utilizado hoje em grande escala pelas classes C, D e E. Não dá para desprezar a presença crescente da base da pirâmide nas novas mídias. E isso terá um impacto cada vez maior na política.

IHU On-Line – Como vê a criação do portal E-Democracia? Qual a importância dele no sistema democrático?

Ronaldo Lemos – Iniciativas como o E-Democracia são muito importantes. São peças em um cenário que precisa tornar-se cada vez mais amigável. O grande desafio de iniciativas como o E-Democracia é competir pela atenção das pessoas, que está já tomada por suas atividades cotidianas na internet (redes sociais, e-mail, etc). Dessa forma, para que iniciativas como essa realmente decolem e sejam relevantes do ponto de representatividade, é muito importante ir até onde as pessoas estão e não apenas esperar que elas terão tempo de participar. Outra estratégia que pode contribuir para o sucesso é criar procedimentos formais de participação, chamando os interessados, inclusive grupos de interesse, a participarem do canal para debate público daquele assunto.

IHU On-Line – Como classifica a participação política e social dos brasileiros nas redes sociais?

Ronaldo Lemos – O potencial de participação e mobilização é extraordinário no Brasil. Esse potencial ainda não se concretizou em toda sua dimensão porque estamos vivendo um momento de relativa estabilidade econômica e política. Mas, aos primeiros sinais de desarranjo ou tensão social mais pronunciada, podemos ter certeza de que veremos esse potencial realizado. Sem perceber, os brasileiros estão aprendendo o be-a-bá do ciberativismo nas suas práticas cotidianas na rede. Em momentos de tensão, essas habilidades poderão sim ser canalizadas politicamente.

(Por Paricia Fachin)

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Hiro

Via Smellycat

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“Ninguéns”

Via o ótimo blog Aldeia Gaulesa do companheiro Erick

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#MinhaInternetCaiu

Uma ação no Twitter levou a hashtag do título para o 1º lugar dos TTbr hoje. A ação faz parte da campanha Banda Larga é um direito seu. Faço essa introdução para deixá-los (meus 3 leitores) com o excelente texto do Rovai. Segue.

#minhainternetcaiu e o ministério do “vai dar merda”

Hoje a blogosfera brasileira deu mais um sinal da sua força. Desde umas 16h, até umas 17h15, quando finalizei este post, a tag #minhainternetcaiu liderava o Trend Topics do Twitter.

A intenção é fazer com que o Ministério da Comunicação amplie o debate sobre o Plano Nacional de Banda Larga (PNBL).

Para que isso aconteça, as pessoas devem colocar sua assinatura numa carta que segue ao fim do post e enviar para o email gabinete@mc.gov.br.

Antes da carta, é necessário que se registre que se a fala do ministro Paulo Bernardo no II Blogprog foi, por um lado, bastante honesta; por outro, muito preocupante.

 

O ministro disse por duas vezes que não dá para tirar recursos do saneamento básico para implantar a Banda Larga no Brasil.

É um discurso velhaco.

Primeiro, porque uma coisa não se contrapõe a outra. O governo deveria fazer um plano de levar saneamento e Banda Larga para todos os brasileiros que não têm condição econômica.

Segundo, porque se utiliza um drama social e histórico do país para justificar a opção do governo de deixar um setor estratégico na mão do setor privado. Aliás, de grupos privados que se locupletam financeiramente prestando um péssimo serviço.

E por que isso é muito preocupante? Porque o governo Dilma tem se mostrado muito conservador e careta quando o tema guarda relação com a nova sociedade da informação e do conhecimento (sem contar com questões de ordem moral que digam respeito a direitos de setores da sociedade que sofrem preconceito – vide caso do Kit homofobia).

Desde a decisão da ministra Ana de Hollanda de retirar o Creative Commons da página do MinC, que tudo que se anuncia nesta área é decepcionante.

A presidenta deveria seguir o conselho do irmão da Ana e imediatamente instalar o ministério do “vai dar merda”. Porque se a postura do seu governo continuar nesse padrão em relação aos movimentos sociais mais conectados, daqui a pouco ela terá alguns milhares em marcha pela Esplanada pedindo a cabeça não só de ministros, mas talvez até a sua.

Este blogue adianta, que não deseja que isso aconteça. E por isso apela para que Dilma, se não for instalar o “vai dar merda”, ao menos passe a olhar os sinais da blogosfera com mais carinho e atenção.

Por que a internet, presidenta, não vai ser instrumento de pressão e mobilização apenas no Egito e na Espanha. Anote isso, porque este estúpido blogueiro, desta área, entende alguma coisa.

Segue o modelo de carta:

Prezado Ministro Paulo Bernardo Silva,

O PNBL foi um passo importante para as políticas de inclusão digital no país. Porém, com o andar das negociações, o governo está prestes a fechar acordos que trazem benefícios para as empresas de telecomunicações sem a imposição de controle tarifário, metas de universalização, parâmetros suficientes de qualidade e gestão pública das redes. Assim, pleiteamos:

1. Retomada imediata das discussões públicas das propostas do PNBL. O governo precisa garantir a interlocução com outros setores além das próprias empresas.

2. Definição de um plano robusto e condizente com a dimensão e com as necessidades do país. Um programa dessa importância não pode ser feito a partir da negociação no varejo e sem estratégia de longo prazo.

3. O PGMU-III deve ser modificado para retirar a possibilidade de as empresas descontarem os custos das metas de universalização e para fortalecer as metas regionais.

4. Estabelecimento do serviço de banda larga em regime público, com metas de universalização, controle de tarifas e garantia de continuidade.

5. Garantir à Telebrás as condições financeiras e estruturais para exercer a gestão pública do PNBL.

6. Estabelecer metas de qualidade que vão além de preço e velocidade, já que a prestação de serviço hoje tem sérios problemas que não podem continuar.

Atenciosamente

(coloque seu nome)

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Eu abro mão

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Wembley 360º

Wembley360

Depois de tirar mais de 1000(!) fotos durante a final da FA cup na Inglaterra, o fotografo Jeffrey Martin montou esse painel em 360º da final. Até aí é legal, mas não novidade. A novidade é que através do site Wembley 360 as pessoas são convidades, a partir das suas contas no Facebook, a se marcarem na foto. Legal, né?

Via BlueBus

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