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O Ano não acabou?

Desculpem as muitas pessoas queridas que nasceram em dezembro, minha própria mãe, inclusive, mas vi esse texto pelo twitter do iavelar e me identifiquei muito. Tenho quase certeza de que o texto foi, na verdade, escrito pelo Bernardo Cotrim. Se bem que o mal humor é todo meu.Vale muito a pena. Fora o vídeo que não tive saco de ver até o final. Faustão + Simone, realmente…

Se quiser ver no original: aqui.

QUE VENHA JANEIRO, PELO AMOR DE DEUS

Dezembro é um mês mais chato do que jogo de xadrez transmitido pelo rádio. É um mês que me lembra o sorriso descontraído de Geraldo Alckmin. Tenho umas mil e duzentas razões para querer despachar o mês feito um ebó pesado na encruza. É por isso que sempre deixo aqui – com uma obsessão goldenberguiana – minha bronca contra esse tempo modorrento da moléstia. Esse blog, enfim, tem por tradição abrir o último mês do ano com um texto defenestrando o período. Aos fatos:
– Em dezembro você corre o risco de receber duzentos emails com um poema sobre a simplicidade da vida, criminosamente atribuído a Jorge Luis Borges. O poema fala do sujeito que na velhice se arrepende de não ter andado descalço, tomado banho de chuva, amado mais, cativado crianças, comido maçãs ao entardecer, soltado os cabelos ao vento e sorrido ao nascer do sol.  Imaginem só se Jorge Luís Borges escreveria uma coisa dessas…
– Toda família que se preza tem pelo menos uma tia velha que, no auge da festa de Natal, cai em prantos, anuncia que morrerá em breve e estraga a ceia. A frase é um clássico: Eu quero dizer pra vocês que esse é meu último Natal; ano que vem eu não estou mais aqui … No ano seguinte lá está ela, vivinha da silva, anunciando a morte próxima e preparada, no fundo, para enterrar a família inteira.
– O sujeito  jura que nunca mais entra em amigo oculto, que vai romper com o consumismo e os cacetes. Balela. Tem sempre pelo menos uma troca de presentes de amigo oculto cuja participação é irrecusável. Para piorar tem a cena clássica de alguém que quer transformar o ritual de troca de presentes em algo descontraído, o que só piora a situação.
– O futebol para em dezembro. Não há campeonatos no Brasil. As noites de quarta e as tardes de domingo sem uma partidinha pra justificar a cerveja são tão emocionantes quanto uma corrida de cágados sob efeito de Lexotan.
– Shoppings são sucursais do inferno e os adultos realmente acham que as crianças gostam de tirar fotos com Papai Noel. Os moleques abrem o berreiro, os pais insistem, o Papai Noel tá doido pra enfiar a porrada no capeta mas tem que manter a pose para garantir os caraminguás da santa ceia. Dezembro é o mês em que acho, como diria o poetinha, o rei Herodes natural.
– Acabaram com a festa de Iemanjá que marcou durante décadas a virada do ano no Rio. As praias não têm mais terreiros na noite do dia 31. Periga o sujeito querer bater cabeça pra rainha do mar e acabar se deparando com um show do Lulu Santos e da Maria Gadú com participação especial da bateria da Grande Rio e de algum dj fresco, moderninho e antenado com o cenário musical inglês. Eu quero de novo macumba na areia, com direito a Praianinha, charuto Índio, perfume de alfazema, leite de rosas pra mamãe sereia, cidra de macieira e barquinho comprado no Mercadão de Madureira.
– Em dezembro os casais de classe média se sentem mais a vontade para trocar juras de amor em público; geralmente com vozes infantis de erês de umbanda. Dá vontade de chegar junto e cantar pra criança subir. Poucas coisas despertam mais os meus piores instintos do que compartilhar o espaço com casais tagarelando como crianças, berrando publicamente seus apelidos e trocando o r pelo l feito o Cebolinha.
– Não dá pra ir com tranquilidade a restaurantes em dezembro. O perigo é encontrar uma festa de encerramento de ano do pessoal da repartição. Em meia hora os bebuns amadores – os bebuns de dezembro – chamam urubu de meu louro e começam a gritar. A funcionária padrão, que passou o ano todo tímida, solta a franga, enche a cara e ameaça fazer striptease pro chefe do almoxarifado ao som do funk das descontroladas. No ápice do fuzuê alguém grita que vai começar o amigo oculto. Não satisfeitos com a troca de presentes em público, os participantes ficam – aos berros – dando palpites sobre quem fulaninho tirou. Vômitos no final do furdunço estão incluídos na conta.
– Dezembro é o mês em que todas as lojas do mundo colocam o cd que a Simone gravou com músicas natalinas [que reputo como um dos piores momentos do cancioneiro popular mundial] . O destaque é Então é Natal , a versão em português de uma música do John Lennon mais desagradável que tratamento de canal no dentista e mais melosa que pudim de guaraná Jesus. Simone termina a música gritando, inexplicavelmente, Hiroshima e Nagasaky. Eu até hoje só cogitei dar cabo à vida comendo veneno para matar piolhos [ e pretendia revelar isso apenas depois de morto, a um médium de mesa branca] em dois momentos: quando o Brasil perdeu o jogo para a Itália na Copa de 1982 e quando ouvi pela quinta vez seguida Então é Natal numa fila das Lojas Americanas.
– Só em dezembro, enfim, um homo sapiens tem a coragem de se prestar a isso:

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Chuveiro de Medusa

Eu, quando criei esse blog, tinha a ideia de colocar nele tudo de legal que visse por aí na internet. Embora o próprio nome dele remetesse a uma ação mais política, não queria me restringir a isso. Com o Vasco jogando a segunda divisão do campeonato brasileiro, não me sinto muito a vontade de comentar sobre futebol. Embora ainda pretenda fazê-lo em breve.

Então resolvi postar sobre esse chuveiro muito legal que vi no site www.bemlegaus.com. O chuveiro é feito de várias hastes flexiveis. Pode ser colocado no teto ou na parede e você pode controlar o fluxo da água. Mais informações clique na imagem.

chuveiro de medusa 1

chuveiro de medusa

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