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Capital financeiro e a economia real

Brad Pitt questiona os jovens investidores

Brad Pitt questiona os jovens investidores

Ben (Brad Pit) se vira para os dois jovens investidores de Wall Street, que dançavam empolgados pelo sucesso de sua aposta, mandando eles ficarem quietos e pergunta:

– Vocês sabem o que acabaram de fazer?

Atônitos, eles, que acabaram de realizar um grande negócio, não respondem.

Pit então complementa:

– Vocês acabaram de apostar contra a economia (norte) americana. Quando a bolsa cai 1%, 400 mil pessoas perdem o emprego. Muitas outras morrem. Então, parem de dançar.

O grande negócio, que ao final da história rende aos jovens investidores cerca de 80 milhões de dólares, era apostar que o sistema de hipotecas e dívidas ligadas ao mercado imobiliário dos EUA iria ruir. Isso mesmo. No jogo do capital financeiro você pode apostar que determinadas ações podem subir ou cair e, se alguém quiser bancar a aposta, você pode ganhar ou perder. Em cima dessas apostas, rolam outras apostas, criando o efeito pirâmide que todo mundo já ouviu falar.

O Filme “A grande aposta” conta essa história e um pouco dos bastidores da maior crise econômica pós 1930.

Existem outros filmes que contam um pouco dos bastidores de Wall Street e como essa aposta se tornou o pilar da economia mundial.

O livro “Flash Boys“, conta uma história de como a velocidade das negociações de ações se tornou fundamental no mundo dos negócios.

Essa história, acontece após a crise de 2008, contada no filme. Nessa crise, a maior dos últimos 70 anos, em que os ricos ficaram absurdamente mais ricos e os pobres perderam o pouco que tinham, somente uma pessoa foi presa, um programador russo que trabalhava no Goldman Sachs, acusado de evasão de códigos dos programas que operam as bolsas de valores. O detalhe sórdido: códigos que ele mesmo havia trabalhado anteriormente eram, em sua maioria, de código aberto.

No livro, Michel Lewis explica como a proximidade dos centros de operação, somado a softwares muito bem preparados e hardwares potentes, dava uma vantagem competitiva a determinados operadores das bolsas de forma que eles conseguiam intermediar uma transação sem que sequer o comprador percebesse. A diferença de centavos nos preços das ações gerava lucros absurdos a esses operadores e prejuízo aos pequenos investidores. Tudo, claro, com o consentimento dos grande bancos de Wall Street.

Muitos outros exemplos podem ser dados para explicar o (não) funcionamento do mundo financeiro. O problema da maioria, pelo menos os que vi ou li até agora, tratam essas questões como anomalias a serem resolvidas. Para mim, não são. Cada vez fica mais claro que a trapaça é a regra. O que vale é a informação. Você pode vender uma dívida, que não será paga. Você pode apostar numa aposta, e ganhar. E, finalmente, você pode apostar contra o sistema e ficar rico.

Ora, um sistema que depende da confiança, da informação privilegiada, que vive de boato, não poderia  ser a base da economia mundial contemporânea, mas é.

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Relação de Filmes Imperdíveis

Essa eu recebi por email. Achei o texto muito bom. Engraçado, enriquecedor, rsrs Claro que a relação de filmes clássicos é muito boa.

O Texto é do companheiro Beto Bastos.

Cinema

Recentemente me impressionou numa conversa de botequim com uma turma de juventude a ausência de referência desses jovens em sua cultura cinéfila nos grandes clássicos do passado. Na conversa ficou claro que nunca viram e não se interessavam pelos grandes filmes, seus atores, atrizes e diretores que marcaram época. Nunca assistiram Casablanca, filme que já vi 17 vezes. Tudo bem, afinal um filme de romance em preto e branco pode não fazer a “cabeça da turma”, mas não ter visto Blade Runner, aí é demais. Um baita filme de ficção. Acredito que filme não tem tempo. Um bom filme da década de 40 se for bom mesmo, tem de ser visto hoje. Para uma boa cultura básica da sétima arte, vale a pena um esforço em dar uma espiadinha no que já foi produzido, mesmo não gostando muito de alguns estilos. Por exemplo, o Fellini, um dos maiores cineastas não me agrada muito, mas vi quase to dos os seus filmes. Sergei Eisenstein é outro longe do consenso, mas não dá para não ver um filme dele. O mesmo vale para Glauber Rocha. Mas foram importantes diretores com uma linguagem nova, que marcaram suas épocas.

Essa questão do cinema para mim sempre foi muito importante. Sou um crítico de botequim sem nenhum rigor intelectual. Deixo isso previamente esclarecido para não me cobrarem coerência. Meus filhos já viram de tudo um pouco, sempre introduzo um clássico em casa. A cultura cinéfila vem desde cedo. Lembro-me de um filho de um atual deputado federal, que já foi do PT, e que eu fazia rodízio na carona para a escola com nossos filhos. O guri tinha doze anos. Num dia no trajeto de volta para casa descobri que ele nunca tinha ido ao cinema. Fiquei indignado. Pedi permissão à mãe e no mesmo dia levei-o num cinema da Tijuca (Carioca, que já não existe mais), para ver Parque dos Dinossauros. Tinham que ver a cara do guri na saída. Continuar lendo

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