Arquivo da categoria: Cotidiano

Mais vida, menos mercado

Mais uma criança foi morta essa semana, numa “ação policial” em uma favela no Rio de Janeiro. Não é uma estatística, era uma pessoa. Era uma filha, amiga. Essa pessoas, adultos, crianças, jovens, morrem porque suas vidas não valem nada, ou quase nada. Não é o Estado que é assassino. Não há a esperança de que “homens bons” possam tomar o Estado e mudar nossas vidas, enquanto tocamos a vida cotidiana. É a forma de produção. A forma como consumimos e produzimos que destrói a terra em que moramos, cria necessidades e acaba com vidas. É para manter uma parcela pequena no admirável mundo novo que a maioria tem que viver nos lixões. Urge discutir uma nova vida, que passará pelas pessoas, primeiro, depois pelo que pode organizar e/ou defender as pessoas (o Estado) e só depois o mercado. Isso não virá de um punhado de iluminados, mas sim de toda uma organização da sociedade em torno das suas próprias vidas.
 
E assim caminha a humanidade.

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Kafka no Quinta D’Or

Acordei de manhã, nessa quarta, dia 3 de agosto de 2016, passando um pouco mal, mesmo assim tomei café, banho e me preparei para ir trabalhar. Mas antes, como me sentia mal, resolvi medir a pressão: 16×10. Para tudo liga pras referências no assunto (minha irmã e minha companheira são médicas).  Ruma para o hospital. Quinta d’Or. Chega lá e entra no mundo da burocracia.

Entrego a carteira do plano e o documento perguntando pela emergência cardíaca: aguarde para ser atendido. Véi, hipertenso chega passando mal no hospital e não passa direto por uma avaliação? O que é isso? Isso é mesmo uma emergência? Escândalo feito (não por mim, dessa vez) e problema resolvido.

Ruma para fazer o eletro. Quem opera essas coisas dentro de um hospital é um técnico de enfermagem, incapaz ou desautorizado a dar qualquer informação. Fica sem saber se tá tudo bem ou não. Mesmo assim, com uma cópia daquelas cobrinhas desenhadas no papel, que diz muito pouco ou quase nada para nós, leigos, podendo ser o seu coração ou o terremoto que rolou no Equador, espera para ser chamado pelo médico.

O que não demora. Procedimento normal com o médico, eletro normal, pressão idem. Fui bem atendido por esse médico que conversou comigo, me examinou. Tudo certo. Explico a minha história, cheia de antepassados com problemas cardíacos. Ele, então, por conta disso me manda fazer o exame de sangue para verificar a tal da enzima cardíaca, para se certificar de que está realmente tudo bem.

Sangue colhido, toma um AAS protocolar e vai para a sala de espera. 40 minutos vendo a Fátima Bernardes na TV depois, com o saco cheio da sala de espera, resolvo esperar do lado de fora, onde minha mãe me aguardava.

Não pode.

Volta para a sala, dessa vez, pelo menos com o tablet em mãos para ler alguma coisa enquanto espero. Na TV, a globo mostra a olimpíada, dentro de seus 352 programas com gente branca, magra e bem vestida. A leitura estava boa, quando o celular, já quase sem bateria, toca. Do outro lado da linha, minha mãe quer saber porque está demorando tanto, pois já se passara mais uma hora desde que eu voltei.

Então já eram 1h40, pelo menos, de espera pelo resultado do exame.

Fala com a atendente, reclama, você é o próximo. Mais 40min e nada de ser o próximo.

Pronto, pra mim chega: vou embora dessa merda. Saio gritando e encontro com a minha mãe do lado de fora, que prontamente  tenta, e consegue, acalmar a situação e negociar e, 2h e tanto depois, sou finalmente atendido.

Então, o Dr. explica: não fui atendido antes, ele acha, porque meu exame estava muitíssimo alterado e eles não sabiam como proceder e foram chamar um médico mais experiente, disse ele apontando para os cabelos brancos.

Como?!

2h e tanto esperando e o cara me diz isso? Ótimo começo pra atender um hipertenso. PQP não to infartando, mas tenho algo muuuuuito grave. Se não vou morrer agora, talvez daqui a uns meses, ou semanas… Nesse momento é possível que minha pressão, que já tinha baixado, tenha voltado ao patamar anterior que me levou aquele conto do Kafka. Para não dizer o mesmo da minha mãe, que assistia a cena.

O Dr., mais uma vez, explica: o INR estava absurdamente alto. Descobri então que esse índice mede a taxa de coagulação do sangue, tendo sua faixa de normalidade ente 0,qq coisa e 1, enquanto o meu estava em 20! Embora esse índice, mais uma vez nas palavras dele, seja incompatível com a vida e isso provavelmente fosse um erro da coleta,  vamos fazer mais alguns exames para tirar qualquer dúvida de qualquer doença que possa estar associada a alteração nessa coisa de INR aí.

Essa parte, pelo menos, foi mais normal e tudo correu dentro dos tempos aceitáveis em “instituições desse tipo”.  Raio-x, novo exame de sangue, espera resultado, novamente atendido pelo médico e liberado, com tudo em dia e com a saúde como antes, ao final de 6h dentro do que é considerado um dos melhores hospitais do Rio.

Resultado: pico de pressão resolvido e um stress causado pelo atendimento que poderia, tranquilamente, ter sido resolvido com o mínimo de atenção ao paciente, uma conversa e, de repente uma repetição do exame.

OK, stress mil, mas nada que um ansiolítico não resolva.

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Nise, o coração da esperança

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O filme Nise, o coração da loucura traz a humanidade de volta para o debate, por ser exatamente essa a luta de figura tão importante para o país. Essa personagem fantástica da nossa história já merecia uma homenagem assim, principalmente por levar a humanidade para onde mais se precisava dela. Num lugar onde os pacientes não eram mais considerados humanos, ela trouxe carinho. Tratou-os com afeto e descobriu dentro de cada uma e cada um, não o artista que todas e todos trazemos dentro do nosso “engenho de dentro”, mas as pessoas, as almas que ainda estavam escondidas dentro daqueles corpos abandonados naquele depósito orgânico.
Encarou o poder constituído naquele espaço, enfrentou paradigmas e preconceitos enraizados naqueles médicos, para quem a cura significa o adestramento, o enquadramento a uma sociedade que oprime e não liberta. Nise trouxe a liberdade.
O momento em que o filme ilumina as telas, contando essa bela história, talvez seja o momento em que estejamos mais precisando de humanidade. E isso veio, não por acaso, justamente de uma mulher, que mostrou toda a sua força para combater os piores poderes dentro daquela instituição, comandadas por homens brancos. Nise trouxe toda a compreensão de que a vida é muito mais do que resultado. Em certo momento, acredito que da história dela, real, e não só do filme, ela discute com um dos diretores do hospital em relação à cura dos pacientes. Ela, nesse momento, se coloca como capaz de resgatar a vida daqueles corpos que haviam sido abandonados pela medicina, que buscava apenas anulá-los, para que não atrapalhassem a vida dos outros. Ela os trouxe de volta.
E como ver esse filme e não lembrar das pessoas que mantém esse sonho vivo? Do belo trabalho do museu do inconsciente que dá continuidade ao sonho de Nise. Pelo pouco que convivi com esse trabalho, posso dizer que seu sonho está muito vivo naquele espaço.
A arte é também expressão do inconsciente, ou daquilo que também se chama alma. O mundo precisa de novas Nises.

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Educação no mundo contemporâneo (impressões pessoais)

Não, não vivemos mais um tempo de separação sexual do trabalho (ou não deveríamos). Não, não é mais tempo de funções rígidas e papeis estabelecidos. O mundo que há do lado de fora das nossas portas depende, e muito, da forma como nos portamos do lado de dentro delas.

O mundo lá fora é cada vez mais artificial, imagético, permissivo, duro e raso nas relações. É um mundo de angústia permanente e de falsas percepções da realidade. É um mundo cada vez mais individual, onde vivemos a realidade através das telas dos smartphones e não mais pela retina. O toque frio do vidro substitui calor dos afagos. O olho não mais encontra olhos, mas pixels.

É preciso encontrar novas formas de viver dentro dessa realidade, pois de nada adianta, também, nos afastarmos do mundo, pois nele vivemos. É nesse mundo que a educação se coloca como uma esperança. Não a vã esperança de encontrar a tal felicidade, para muitos perdida dentro de objetos de desejo materializados em símbolos perdidos de uma sociedade em crise. mas a felicidade pautada na realização do possível, sentindo-se bem com os que nos cercam.

A criação, muito mais do que a formalização de uma educação, que pode ser entendida como graus acadêmicos, deve ser pensada e realizada na construção de uma sociedade nova. Pois a mudança, por vezes individualizada, pode e deve, trazer mudanças para a sociedade.

Uma criança, assim, deve compreender que  faz parte de um mundo, não ao contrário. Deve participar dele, sem esperar que o mundo a coloque no pedestal e venha lhe trazer beneces. Dessa forma, a educação deve ser compartilhada entre família, escola, sociedade (incluindo aí o papel importante que os meios de comunicação exercem nesse sentido).

Assim, uma convivência igualitária entre pai e mãe só pode ser saudável para a criança, assim como constância na relação e uma atenção qualificada indicando uma preparação para que essa criança seja um adulto responsável pelos seus atos e com capacidade de assumir suas responsabilidades.

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Não soubemos ver você

Galeano – imagem “roubartilhada” do Facebook da Secretaria Geral da Presidência da República

No ano de 2009, no atrio do convento de Mani de Iucatã, quarenta e dois frades fransciscanos cumpriram uma cerimônia de desagravo à cultura indígena:

Pedimos perdão ao povo maia, por não haver entendido sua cosmovisão, sua religião, por negar suas divindades; por não ter respeitado sua cultura, por haver imposto durante muitos séculos uma religião que não entendiam, por haver satanizado suas práticas religiosas, e por haver dito e escrito que eram obra do Demônio e que seus ídolos eram o próprio Satanás materializado.

Quatro séculos e meio antes, naquele mesmo lugar, outro frade fransciscano, Diego de Landa, havia queimado os livros maias, que guardavam oito séculos de memória coletiva.

Eduardo Galeano, Os Filhos dos dias, p 127 (dia 13 de abril)

E nesse dia, em 2015, se foi Galeano. Se foi sua figura, sua pessoa. Sua obra fica. Fica como memória coletiva, artisticamente gravada na história da nossa tão amada América Latina. Fica como lição de que o certo, de que a luta, de que a vida pode ser doce como seus textos, mesmo que dura e amarga, como é a luta e vida em certos momentos.

Fica a obra daquele que trouxe o respeito, a reparação, a beleza da criança que brinca, da poesia em forma de vida. Trouxe o sonho, em forma de prosa, e trouxe a sensibilidade à visão do mundo. Galeano ousou sonhar um mundo diferente, coletivamente, expresso em um texto na biblioteca de alternativas do Fórum Social Mundial. Aquele que é a memória coletiva das lutas do século que, ainda, se inicia.

Reproduzo, então, o texto que colocou em contato mais próximo desse autor que tanto apreciamos e que tanto nos apreciou.

Sim, soubemos ver você, Galeano, assim como soubestes ver a beleza da vida nos dias cinzas em que vivemos.

Um convite ao vôo

Que tal começarmos a exercer o jamais proclamado direito de sonhar?

Que tal delirarmos um pouquinho? Vamos fixar o olhar num ponto além da infâmia para adivinhar outro mundo possível

Eduardo Galeano*

Milênio vai, milênio vem, a ocasião é propícia para que os oradores de inflamado verbo discursem sobre os destinos da humanidade e para que os porta-vozes da ira de Deus anunciem o fim do mundo e o aniquilamento geral, enquanto o tempo, de boca fechada, continua sua caminhada ao longo da eternidade e do mistério.

Verdade seja dita, não há quem resista: numa data assim, por mais arbitrária que seja, qualquer um sente a tentação de perguntar-se como será o tempo que será. E vá-se lá saber como será. Temos uma única certeza: no século vinte e um, se ainda estivermos aqui, todos nós seremos gente do século passado e, pior ainda, do milênio passado.

Embora não possamos adivinhar o tempo que será, temos, sim, o direito de imaginar o que queremos que seja. Em 1948 e em 1976, as Nações Unidas proclamaram extensas listas de direitos humanos, mas a imensa maioria da humanidade só tem o direito de ver, ouvir e calar. Que tal começarmos a exercer o jamais proclamado direito de sonhar? Que tal delirarmos um pouquinho? Vamos fixar o olhar num ponto além da infâmia para adivinhar outro mundo possível:

o ar estará livre do veneno que não vier dos medos humanos e das humanas paixões;

nas ruas, os automóveis serão esmagados pelos cães;

as pessoas não serão dirigidas pelos automóveis, nem programadas pelo computador, nem compradas pelo supermercado e nem olhadas pelo televisor;

o televisor deixará de ser o membro mais importante da família e será tratado como o ferro de passar e a máquina de lavar roupa;

as pessoas trabalharão para viver, ao invés de viver para trabalhar;

será incorporado aos códigos penais o delito da estupidez, cometido por aqueles que vivem para ter e para ganhar, ao invés de viver apenas por viver, como canta o pássaro sem saber que canta e brinca a criança sem saber que brinca;

em nenhum país serão presos os jovens que se negarem a prestar o serviço militar, mas irão para a cadeia os que desejarem prestá-lo;

os economistas não chamarão nível de vida ao nível de consumo, nem chamarão qualidade de vida à qualidade de coisas;

os cozinheiros não acreditarão que as lagostas gostam de ser fervidas vivas;

os historiadores não acreditarão que os países gostam de ser invadidos;

os políticos não acreditarão que os pobres gostam de comer promessas;

ninguém acreditará que a solenidade é uma virtude e ninguém levará a sério aquele que não for capaz de deixar de ser sério;

a morte e o dinheiro perderão seus mágicos poderes e nem por falecimento nem por fortuna o canalha será formado em virtuoso cavaleiro;

ninguém será considerado herói ou pascácio por fazer o que acha justo em lugar de fazer o que mais lhe convém;

o mundo já não estará em guerra contra os pobres, mas contra a pobreza, e a indústria militar não terá outro remédio senão declarar-se em falência;

a comida não será uma mercadoria e nem a comunicação um negócio, porque a comida e a comunicação são direitos humanos;

ninguém morrerá de fome, porque ninguém morrerá de indigestão;

os meninos de rua não serão tratados como lixo, porque não haverá meninos de rua;

os meninos ricos não serão tratados como se fossem dinheiro, porque não haverá meninos ricos;

a educação não será um privilégio de quem possa pagá-la;

a polícia não será o terror de quem não possa comprá-la;

a justiça e a liberdade, irmãs siamesas condenadas a viver separadas, tornarão a se unir, bem juntinhas, ombro contra ombro;

uma mulher, negra, será presidente do Brasil, e outra mulher, negra, será presidente dos Estados Unidos da América; e uma mulher índia governará a Guatemala e outra o Peru;

na Argentina, as loucas da Praça de Maio serão um exemplo de saúde mental, porque se negaram a esquecer nos tempos da amnésia obrigatória;

a Santa Madre Igreja corrigirá os erros das tábuas de Moisés e o sexto mandamento ordenará que se festeje o corpo;

a Igreja também ditará outro mandamento, do qual Deus se esqueceu: “Amarás a natureza, da qual fazes parte” .

serão reflorestados os desertos do mundo e os desertos da alma;

os desesperados serão esperados e os perdidos serão encontrados, porque eles são os que se desesperam de tanto esperar e os que se perderam de tanto procurar;

seremos compatriotas e contemporâneos de todos os que tenham aspiração de justiça e aspiração de beleza, tenham nascido onde tenham nascido e tenham vivido quando tenham vivido, sem que importem nem um pouco as fronteiras do mapa ou do tempo;

a perfeição continuará sendo um aborrecido privilégio dos deuses; mas neste mundo confuso e fastidioso, cada noite será vivida como se fosse a última e cada dia como se fosse o primeiro.

* Eduardo Galeano é jornalista e escritor, entre outros, de O Século do Vento, As Caras e as Máscaras, Os Nascimentos, O Futebol ao sol e à sombra, O Livro dos Abraços, Dias e noites de amor e de guerra e As Veias abertas da América Latina.

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A nossa Copa

Maracanã final da copa das confederaçõesEnfim ela chegou. Bate a nossa porta a Copa. A nossa Copa. Parece que demorou muito. Anos. 64 anos, para falar a verdade. A Copa que muitas pessoas, que curtem futebol, sempre sonharam em acompanhar de perto. A Copa no sagrado solo da terra do futebol.

E a Copa no Brasil, como não podia deixar de ser, não será só a Copa do futebol, mas já é a Copa da discussão política.

Deveria ser a nossa chance de mostrar para o mundo como se joga, se torce e se organiza o futebol no país do futebol. Poderia ter sido. Claro que não foi. Mas está sendo um momento de crescimento da política do país.

E é essa a discussão que está nas esquinas, nas ruas, nos bares (além das figurinhas, é claro – faltam 23 ainda, alguém? álbum completo). A discussão é se a Copa é boa ou é ruim para o país. Ninguém discute se o Brasil deveria jogar com 2 ou 3 atacantes. Se o Ramirez deve ser titular, ou o que faz o Hulk na ponta direita.

Claro que a Copa trouxe problemas e também trouxe investimentos em infraestrutura.

A discussão, no fundo, não é sobre a Copa. E o que se está discutindo, então, usando a copa como pano de fundo?

Não é o investimento em educação ou saúde. Qualquer pessoa razoavelmente informada sabe que são coisas distintas e que os investimentos em estádio não tiraram um centavo da saúde e da educação. Além é claro do enorme retorno financeiro que o país terá depois da Copa.

Não é também se nós vamos ou não passar vergonha. O mundo conhece o Brasil. Não precisamos repetir essa falácia da imagem. A imagem do Brasil nunca foi tão boa lá fora. Mesmo que a Economist tente, depois de encher a nossa bola, esvaziá-la por termos enfrentado alguns (poucos) interesses do grande capital.

A questão é, então, a construção de cidadania. As ruas são parte disso, mas não o todo. Ser contra ou a favor da copa é uma posição política. Se muitas vezes essa é uma posição rasa, baseada simplesmente se você apoia ou não o Gov. Federal, outras podemos ver um debate sério, que pretende apontar problemas reais da sociedade e aponta saídas e soluções (não acho que todo o debate sério deve apontar soluções, necessariamente). É o caso das remoções, das obras superfaturadas, das imposições da Fifa, falta de planejamento em algumas coisas, para dar alguns exemplos.

Uma coisa que me irrita, às vezes, é gente achando que a Copa deveria ser a solução para as nossas mazelas todas. Ora, não vamos resolver os problemas estruturais de 500 anos de construção de um país em 7 anos de preparação para uma festa.

Pois é isso que a Copa é. Uma festa e um negócio. Muitas festas, dessas que a galerinha frequenta por aí são a mesma coisa, salvo as devidas proporções, é claro. Faz-se a festa, ganha-se dinheiro, uma galera se diverte. Isso traz problemas com o vizinho, com a polícia…

Então, vamos ter Copa e já tivemos um crescimento político. Uma nova postura da sociedade vai se construindo aproveitando a Copa. Claro que não é só por causa da Copa ou das Olimpíadas que essa vontade, esse desejo, é construído. Mas os grandes eventos, que mexem com a vida das cidades, aceleram esses processos. Essa é a nossa grande vitória. E por isso, o resultado do jogo de 13 de julho, quem vai levantar a taça ou quem será o melhor jogador da competição, não fará nenhuma diferença na vida política do país, embora possa deixar muita gente alegre ou triste com o futebol. Mas é só futebol, e a maior vitória, nós já conquistamos.

Somos um jovem democracia buscando seu marco civilizatório, com a vantagem de poder olhar para o mundo e poder apontar acertos e erros em outros modelos de civilização. Temos um longo caminho pela frente, com muitos percalços, mas já demos alguns passos.

 

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Às mulheres, Um mundo melhor não pode existir sem igualdade.

às que lutam por uma existência melhor,
às que vivem as suas vidas,
às que querem viver outra vida,
às que são mães,
às que não são,
às que cuidam da família,
às que não tem de quem cuidar, nem quem cuide delas,
às que trabalham todos os dias para dar vida melhor aos outros,
às que vivem se lamentando por isso,
à que encaram isso de frente,
às que correm atrás do que querem,

à todas vocês, parabéns pelo dia de hoje, um dia de luta por um mundo melhor.

Um mundo melhor não pode existir sem igualdade.

Continuem a nos ensinar todos os outros dias do ano com a sua luta.

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