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Nise, o coração da esperança

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O filme Nise, o coração da loucura traz a humanidade de volta para o debate, por ser exatamente essa a luta de figura tão importante para o país. Essa personagem fantástica da nossa história já merecia uma homenagem assim, principalmente por levar a humanidade para onde mais se precisava dela. Num lugar onde os pacientes não eram mais considerados humanos, ela trouxe carinho. Tratou-os com afeto e descobriu dentro de cada uma e cada um, não o artista que todas e todos trazemos dentro do nosso “engenho de dentro”, mas as pessoas, as almas que ainda estavam escondidas dentro daqueles corpos abandonados naquele depósito orgânico.
Encarou o poder constituído naquele espaço, enfrentou paradigmas e preconceitos enraizados naqueles médicos, para quem a cura significa o adestramento, o enquadramento a uma sociedade que oprime e não liberta. Nise trouxe a liberdade.
O momento em que o filme ilumina as telas, contando essa bela história, talvez seja o momento em que estejamos mais precisando de humanidade. E isso veio, não por acaso, justamente de uma mulher, que mostrou toda a sua força para combater os piores poderes dentro daquela instituição, comandadas por homens brancos. Nise trouxe toda a compreensão de que a vida é muito mais do que resultado. Em certo momento, acredito que da história dela, real, e não só do filme, ela discute com um dos diretores do hospital em relação à cura dos pacientes. Ela, nesse momento, se coloca como capaz de resgatar a vida daqueles corpos que haviam sido abandonados pela medicina, que buscava apenas anulá-los, para que não atrapalhassem a vida dos outros. Ela os trouxe de volta.
E como ver esse filme e não lembrar das pessoas que mantém esse sonho vivo? Do belo trabalho do museu do inconsciente que dá continuidade ao sonho de Nise. Pelo pouco que convivi com esse trabalho, posso dizer que seu sonho está muito vivo naquele espaço.
A arte é também expressão do inconsciente, ou daquilo que também se chama alma. O mundo precisa de novas Nises.
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Relação de Filmes Imperdíveis

Essa eu recebi por email. Achei o texto muito bom. Engraçado, enriquecedor, rsrs Claro que a relação de filmes clássicos é muito boa.

O Texto é do companheiro Beto Bastos.

Cinema

Recentemente me impressionou numa conversa de botequim com uma turma de juventude a ausência de referência desses jovens em sua cultura cinéfila nos grandes clássicos do passado. Na conversa ficou claro que nunca viram e não se interessavam pelos grandes filmes, seus atores, atrizes e diretores que marcaram época. Nunca assistiram Casablanca, filme que já vi 17 vezes. Tudo bem, afinal um filme de romance em preto e branco pode não fazer a “cabeça da turma”, mas não ter visto Blade Runner, aí é demais. Um baita filme de ficção. Acredito que filme não tem tempo. Um bom filme da década de 40 se for bom mesmo, tem de ser visto hoje. Para uma boa cultura básica da sétima arte, vale a pena um esforço em dar uma espiadinha no que já foi produzido, mesmo não gostando muito de alguns estilos. Por exemplo, o Fellini, um dos maiores cineastas não me agrada muito, mas vi quase to dos os seus filmes. Sergei Eisenstein é outro longe do consenso, mas não dá para não ver um filme dele. O mesmo vale para Glauber Rocha. Mas foram importantes diretores com uma linguagem nova, que marcaram suas épocas.

Essa questão do cinema para mim sempre foi muito importante. Sou um crítico de botequim sem nenhum rigor intelectual. Deixo isso previamente esclarecido para não me cobrarem coerência. Meus filhos já viram de tudo um pouco, sempre introduzo um clássico em casa. A cultura cinéfila vem desde cedo. Lembro-me de um filho de um atual deputado federal, que já foi do PT, e que eu fazia rodízio na carona para a escola com nossos filhos. O guri tinha doze anos. Num dia no trajeto de volta para casa descobri que ele nunca tinha ido ao cinema. Fiquei indignado. Pedi permissão à mãe e no mesmo dia levei-o num cinema da Tijuca (Carioca, que já não existe mais), para ver Parque dos Dinossauros. Tinham que ver a cara do guri na saída. Continuar lendo

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