Nise, o coração da esperança

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O filme Nise, o coração da loucura traz a humanidade de volta para o debate, por ser exatamente essa a luta de figura tão importante para o país. Essa personagem fantástica da nossa história já merecia uma homenagem assim, principalmente por levar a humanidade para onde mais se precisava dela. Num lugar onde os pacientes não eram mais considerados humanos, ela trouxe carinho. Tratou-os com afeto e descobriu dentro de cada uma e cada um, não o artista que todas e todos trazemos dentro do nosso “engenho de dentro”, mas as pessoas, as almas que ainda estavam escondidas dentro daqueles corpos abandonados naquele depósito orgânico.
Encarou o poder constituído naquele espaço, enfrentou paradigmas e preconceitos enraizados naqueles médicos, para quem a cura significa o adestramento, o enquadramento a uma sociedade que oprime e não liberta. Nise trouxe a liberdade.
O momento em que o filme ilumina as telas, contando essa bela história, talvez seja o momento em que estejamos mais precisando de humanidade. E isso veio, não por acaso, justamente de uma mulher, que mostrou toda a sua força para combater os piores poderes dentro daquela instituição, comandadas por homens brancos. Nise trouxe toda a compreensão de que a vida é muito mais do que resultado. Em certo momento, acredito que da história dela, real, e não só do filme, ela discute com um dos diretores do hospital em relação à cura dos pacientes. Ela, nesse momento, se coloca como capaz de resgatar a vida daqueles corpos que haviam sido abandonados pela medicina, que buscava apenas anulá-los, para que não atrapalhassem a vida dos outros. Ela os trouxe de volta.
E como ver esse filme e não lembrar das pessoas que mantém esse sonho vivo? Do belo trabalho do museu do inconsciente que dá continuidade ao sonho de Nise. Pelo pouco que convivi com esse trabalho, posso dizer que seu sonho está muito vivo naquele espaço.
A arte é também expressão do inconsciente, ou daquilo que também se chama alma. O mundo precisa de novas Nises.
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Arquivado em cinema, Cotidiano, poesia, Sem-categoria

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