Dinossauros de metal

Enquanto dinossauros de metal comem mercadorias que viajam em tartarugas gigantes que nadam de costas, hemácias humanas viajam sobre artérias ferroviárias para levar seu próprio sangue pra alimentar as células do sistema.

Mal sabem elas que estão alimentando os próprios carrascos que irão lhe arrancar a pele. Reproduzindo um mundo que já não mais lhes pertence.

Andamos na lama, fechamos escolas, destruímos a nossa casa, atiramos uns nos outros. Sequer sabemos os nossos nomes. Tiramos tudo daqueles que não tem nada.

Derramamos em vão nosso sangue que já não irá alimentar nada. Nem asfalto nem petróleo.

De dentro da caixa de vidro, os donos não escutam nossos gritos, nossa dor. Seu mármore, branco, não está sujos de sangue, ainda. Mas um dia ele poderá apertar a mão do filho morto numa guerra que ele mesmo criou.

Aí já será tarde. Já não haverá mais volta no mundo que ele mesmo criou.

Não haverá mais rio nem dança. Café nem cerveja. Não haverão mais crianças fazendo rodas. Ou jogando bola. E nem mãos que apertar.

Pois, assim caminha a humanidade.

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