Multidões em marcha

“Os donos do mundo piraram
Já são carrascos e vítimas
Do próprio mecanismo que criaram”
R. Seixas

protestos em londres

A Europa vive o pesadelo das multidões, com ou sem rumo, em marcha. O medo das elites, que construiram esse mundo desigual em que vivemos nas últimas décadas, se explica pela exclusão dos diferentes. Esses diferentes, excluídos, viraram indignados. São excluídos da maravilhosa vida propagada e construída por uma nova ordem mundial, baseada no consumo, mas só dos poucos incluídos. Aos que não pertencem a esse seleto grupo: ao gueto.

Acontece que o gueto, com altas taxas de desemprego, sem escolaridade, pagando altos impostos, é um barril de pólvora. Podemos perceber muitos pontos em comum com as diversas multidões que se mexem no começo dessa década. Egito, Síria, Iemen, Tunísia, Líbia. Agora, vemos Grécia, Espanha e Inglaterra enfrentarem seus indignados. Todos tem em comum a crise financeira, a piora das condições de vida das populações mais pobres. Tudo isso para sustentar um mundo de maravilhas tecnológicas e altos padrões de consumo.

No começo do séc. XXI, milhares de vozes começaram a reclamar desse modelo, que fora imposto mundo a fora após a queda do muro de Berlim. Eram jovens lutando contra as organizações donas do mundo: OMC, Banco Mundial etc. Em contrapartida ao principal encontro dessas organizações, que acontecia em Davos, na Suíça, todos os anos, muitas organizações dos antigos indignados, após vários anos de conflito com a nova ordem, resolveram fazer um encontro paralelo. Nascia assim o Fórum Social Mundial, em contrapartida ao Fórum Econômico Mundial, em Davos. Sua capital: Porto Alegre, capital da democracia participativa, até aquele momento. Essa história já foi contada em versos e prosas, inclusive aqui no Blog.

O Fórum não morreu, continua vivo, aliás. Atuante. Mas acredito que está mais do que na hora desses novos indignados começarem a pensar numa organização mais constante, mas ativa, com mais capacidade de lutar pelos rumos de suas vidas. Não digo que precise ser um partido político, por exemplo. Mas, qualquer análise mais profunda que faça a comparação entre a vida na Europa, na África, no Oriente médio com a América Latina, poderá concluir que não basta se indignar, mas que é preciso se organizar e lutar pelos rumos do países onde vivem. No Brasil, o fato de termos o PT, a CUT, o MST e uma série de outras organizações sociais, levou a uma institucionalização da luta e resultou em governos voltados para os mais pobres, para a diminuição das desigualdades. O mesmo é repetido em outros países da América do Sul.

Podem apostar que a realização do Fórum Social Mundial foi um importante fator para essas vitórias. Então é preciso reforçá-lo.

Estamos tratando do futuro da humanidade. O que será daqui pra frente? Estamos construíndo um mundo para poucos, que precisarão de fortes esquemas de segurança para isolar os barris de pólvora que eles mesmo criaram, ou queremos construir um mundo inclusivo, onde todo ser humano tenho direito básica a uma vida digna? Como disse Appadurai, não vivemos o choque de civilizações, mas uma civilização do choque.

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