Ações e reações digitais

Sempre tive pra mim que a esquerda, quando tivesse a chance de governar não sairia mais do poder. Esquerda de verdade, claro. Aquela que aplica reformas, mesmo que leves, na estrutura econômica e social de um Estado. Pensamento simples. Simplista até.

A partir do momento em que vivêssemos em uma democracia de verdade as pessoas poderiam de fato escolher o que é melhor para as suas próprias vidas. Coisa simples. Os pobres votam na esquerda, que na pior da hipóteses, irá trazer reformas simples, programas assistencialistas, maior peso do Estado da economia etc. Coisas que vão alterar positivamente as suas vidas. Os ricos, claro, votam na direita. Defesa dos seus privilégios. (Vejam aqui esse mapa da votação do Rio de janeiro feito pelo Estadão)

Quando comecei a militar e, consequentemente, a estudar a história das lutas dos povos oprimidos, alguma teoria socialista e tal, discutíamos se era possível ou não tomar o poder de forma pacífica. Havia sempre um horror contra as revoluções do sec XX: matavam muitas pessoas inocentes, construíam ditaduras, não havia direitos humanos. Nem quero entrar nessas discussões, embora saibamos que parte é verdade.

Acontece que a história também mostrou que, pelo menos na América Latina, essa alternativa, de chegar ao pode por meio das “eleições burguesas” era um caminho viável. E, assim como eu, parece que a direita pensava (ainda pensa?) que, uma vez no poder, realizando reformas sociais, a esquerda não sai mais. Solução? Todos nós conhecemos.

Começa assim: constrói-se subjetivamente um clima de desconfiança em relação ao governo democraticamente eleito. Corrupção é um bom começo. Depois parte-se para um ataque mais direto acusando o governo democraticamente eleito de “aparelhamento do Estado”. Qualquer semelhança com o termo República Sindicalista não é mera coincidência. Como esse governo eleito democraticamente tem a ousadia de demitir um funcionário que estava lá há 5 governos? Um quadro exemplar, cargo de confiança do ex-presidente que hoje está na oposição? Um absurdo. Como colocar no seu lugar um quadro do partido, um trabalhador?!!! Como querem ocupar os cargos que por direito eram nossos, a elite intelectual do país? Nós que estudamos nas melhores escolas, universidades, que temos pós graduação. Tudo isso para garantir nosso cargo numa instituição pública com o simples intuito de garantir a nossa própria subsistência!

É preciso recuperar logo as rédeas do aparelho do Estado antes que os trabalhadores que o tomaram comecem a gostar. Claro, se os trabalhadores estão lá, quem vai trabalhar nesse país? EU?

Assim cria-se um clima de desconfiança de parte da população com o Governo legitimando uma ação mais contundente para recuperar o controle do Estado. A mentira e calúnia sempre estiveram no centro dessa estratégia. De novo vemos semelhanças com 64…

A novidade da vez é a internet. Temos diversas ferramentas de comunicação dentro da Internet. O meio perfeito para ações desse tipo. As informações são rapidamente espalhadas de forma viral, alcançando níveis inimaginados há tempos atrás. A velocidade disso é impressionante. Conta com a colaboração de milhares de pessoas que repassam os emails, postam em seus blogs, mandam mensagens no Orkut, no facebook. É um sistema muito bem elaborada, como foram os outros, em outros tempos. Se antes se usava e abusava dos jornais, dos noticiários na TV, hoje há uma mensagem diferente para cada nível dessa cadeia. Tudo muito bem pensado. Lésbica para os mais conservadores, abortista para os crentes, mandona para os liberais. A velha adjetivação exarcebada continua em alta.

Porém, nos últimos dias parece que explodiu a reação pelos mesmos meios que a ação que calunia nossa candidata, nosso partido. É uma reação tardia, porém bem vinda, de diversos militantes e não militantes mas que vêem na eleição presidencial o seu futuro próximo. São pessoas que deixam seus trabalhos, suas obrigações de lado para se darem ao trabalho de verem os vídeos explicativos, lerem os textos, repassarem para seus contatos.

Muitas foram as análises sobre o papel da internet nessas eleições. Ninguém que eu tenha lido se arriscaria dizer que ela teria um papel tão importante e ao mesmo tempo tão vil. É através dela que está vindo a reação. Não somos mais militantes que vão para as ruas nas vésperas das eleições. Agora mandamos emails, postamos nos blogs, no facebook e no twitter. Bem vindo à luta de classes do Sec XXI

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Arquivado em Internet, politica Nacional

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