10 anos de Seattle

manifestação em Seattle

Não lembro qual foi o dia exato da extraordinária manifestação que parou a reunião da OMC em Seattle em 1999. Não importa. Já são 10 anos que o mundo vem dizendo que o sistema que vinha sendo gerado a partir das reorganização da ordem mundial do pós-guerra, freada um pouco pela guerra-fria, não serve para a humanidade.

Em 1972, a primeira experiência real, Chile. Golpe militar afastando um governo de esquerda legalmente eleito. Um campo para experimentar o novo conceito. Aquela receita que conhecemos bem: privatização, Estado mínimo, farra financeira etc. A partir daí, essa prática se espalha pelo mundo ocidental, ampliada pelos governos Reagan e Thatcher, na década seguinte. Após a queda do muro de Berlim, que separava o mundo em 2 (talves 3 ou mais, mas não importa agora), caminho livre para as práticas do mercado. O sedutor jogo das apostas financistas estava ganho. A história acabou.

Adentramos a década de 1990 consensuados por Washington. O mundo deveria aprender a remar em uma só direção, com uma só cabeça pensante, mandante. Mas, uma década de crises repetidas, de países quebrando uns atrás dos outros, levou ao testemperos suas populações.

E, no coração do império, vimos a primeira grande manifestação contra as novas formas de poder, os organismos multilaterais, capachos do consenso, que impuseram o seu modelo à custa de muitas vidas. Seattle não foi o primeiro grito daqueles que sofriam na pele as intempéries do sistema. Os Zapatistas, no méxico, já havia gritado ao mundo, através da internet. Os Sem-Terras, no Brasil, atráves de suas marchas, suas ocupações. Eram os excluídos de um sistema acostumado às gritaria das bolsas de valores, em prédios fechados, acarpetados, com ar-condicionado.

De lá pra cá muita coisa mudou. A partir das seguidas manifestações foi possível construir espaços mais privilegiados de articulações políticas como o Fórum Social Mundial e suas consequentes manifestações, até 2003 contra a guerra do Iraque, a maior manifestação já organizada que se tem notícia.

Certamente esse processo contribuiu em muito para o momento que vivemos. A luta organizada foi importante para a institucionalização da resistencia que culmina nos governos de esquerda eleitos na América Latina e a melhora de vida de suas populações, comprovadas pela popularidade de seus dirigentes.

É, como disse Emir Sader, “Podemos dizer que o novo cenário latinoamericano é herdeiro das lutas de resistência da década de 1990 e, em particular, das espetaculares manifestações de Seattle, que marcaram o fim da lua-de-mel neoliberal e o começo da construção do “outro mundo possível”, do pós neoliberalismo latinoamericano.”

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2 Comentários

Arquivado em Política internacional

2 Respostas para “10 anos de Seattle

  1. José Chrispiniano

    Oi, Miguel,

    Os protestos em Seattle foram o N30, aconteceram em 30 de novembro de 1999. Vou escrever textinho sobre isso em breve…

    abração!

    Curtir

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