Os números de 2011

Os duendes de estatísticas do WordPress.com prepararam um relatório para o ano de 2011 deste blog.

Aqui está um resumo:

Um comboio do metrô de Nova Iorque transporta 1.200 pessoas. Este blog foi visitado cerca de 4.600 vezes em 2011. Se fosse um comboio, eram precisas 4 viagens para que toda gente o visitasse.

Clique aqui para ver o relatório completo

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Em tempo, o novo

Tô há um tempo tentando escrever alguma coisa sobre esses movimentos que tomam as ruas, que se indignam, que se movem. Porém, o tempo, e talvez outras coisitas da vida, não me deixam.
De repente, escrevi isso, entre uma noite de insônia e outra manhã de sono.

É tempo de muita confusão
Mas tempo de esperança, em meio ao desânimo.

Enquanto homens engravatados,
Em salas, nos andares mais altos,
Dos mais altos prédios,
Tentam, em vão, decidir os rumos do nosso mundo
A vida se constrói, ou se reconstrói
Aqui em baixo

São vidas comuns, desconhecidas
Tentando, muitas vezes também em vão,
Sonhar um novo sonho
Não mais atrelados às velhas estruturas,
Mas em busca de um novo
Que talvez nunca chegue.

Porém, é tempo de reconstrução
de sonhos em meio a destruições de vidas.

(9 de novembro de 2011)

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A flor e a náusea

Preso à minha classe e a algumas roupas,
vou de branco pela rua cinzenta.
Melancolias, mercadorias espreitam-me.
Devo seguir até o enjôo?
Posso, sem armas, revoltar-me?
Olhos sujos no relógio da torre:
Não, o tempo não chegou de completa justiça.
O tempo é ainda de fezes, maus poemas, alucinações e espera.
O tempo pobre, o poeta pobre
fundem-se no mesmo impasse.
Em vão me tento explicar, os muros são surdos.
Sob a pele das palavras há cifras e códigos.
O sol consola os doentes e não os renova.
As coisas. Que tristes são as coisas, consideradas sem ênfase.
Uma flor nasceu na rua!
Vomitar esse tédio sobre a cidade.
Quarenta anos e nenhum problema
resolvido, sequer colocado.
Nenhuma carta escrita nem recebida.
Todos os homens voltam para casa.
Estão menos livres mas levam jornais
E soletram o mundo, sabendo que o perdem.
Crimes da terra, como perdoá-los?
Tomei parte em muitos, outros escondi.
Alguns achei belos, foram publicados.
Crimes suaves, que ajudam a viver.
Ração diária de erro, distribuída em casa.
Os ferozes padeiros do mal.
Os ferozes leiteiros do mal.
Pôr fogo em tudo, inclusive em mim.
Ao menino de 1918 chamavam anarquista.
Porém meu ódio é o melhor de mim.
Com ele me salvo
e dou a poucos uma esperança mínima.
Passem de longe, bondes, ônibus, rio de aço do tráfego.
Uma flor ainda desbotada
ilude a polícia, rompe o asfalto.
Façam completo silêncio, paralisem os negócios,
garanto que uma flor nasceu.
Sua cor não se percebe.
Suas pétalas não se abrem.
Seu nome não está nos livros.
É feia. Mas é realmente uma flor.
Sento-me no chão da capital do país às cinco horas da tarde
e lentamente passo a mão nessa forma insegura.
Do lado das montanhas, nuvens maciças avolumam-se.
Pequenos pontos brancos movem-se no mar, galinhas em pânico.
É feia. Mas é uma flor. Furou o asfalto, o tédio, o nojo e o ódio.

Carlos Drummond de Andrade
(1902-1987)

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Assaltantes de lojinhas do mundo, uni-vos!

por Slavoj Zižek, London Review of Books, vol. 33, n, 16

Tradução do Coletivo da Vila Vudu

A repetição, segundo Hegel, tem papel crucial na história: se alguma coisa acontece uma única vez, pode ser descartada como acidente, algo que poderia ter sido evitado se a situação tivesse sido conduzida de modo diferente; mas quando um mesmo evento repete-se, é sinal de que está em curso um processo histórico mais profundo. Quando Napoleão foi derrotado em Leipzig em 1813, pareceu má sorte; quando foi derrotado outra vez em Waterloo, ficou claro que seu tempo acabara. Vale o mesmo para a continuada crise financeira. Setembro de 2008 foi apresentado como anomalia que podia ser corrigida com melhores regulações e controles; hoje se acumulam sinais de quebradeira nas finanças e já é evidente que estamos lidando com fenômeno estrutural.

Dizem e repetem e repetem que atravessamos uma crise da dívida e que todos temos de partilhar a carga e apertar os cintos. Todos, exceto os (muito) ricos. Aumentar impostos sobre muito ricos é tabu: se se fizer isso, diz o mesmo argumento, os ricos não terão incentivo para investir, haverá menos empregos e todos sofreremos mais. A única salvação, nesses tempos duros, é os pobres ficarem cada vez mais pobres e os ricos cada vez mais ricos. O que devem fazer os pobres? O que podem fazer? Continue lendo

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Multidões em marcha

“Os donos do mundo piraram
Já são carrascos e vítimas
Do próprio mecanismo que criaram”
R. Seixas

protestos em londres

A Europa vive o pesadelo das multidões, com ou sem rumo, em marcha. O medo das elites, que construiram esse mundo desigual em que vivemos nas últimas décadas, se explica pela exclusão dos diferentes. Esses diferentes, excluídos, viraram indignados. São excluídos da maravilhosa vida propagada e construída por uma nova ordem mundial, baseada no consumo, mas só dos poucos incluídos. Aos que não pertencem a esse seleto grupo: ao gueto. Continue lendo

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A democracia está sendo transformada pelas redes sociais.

Uma excelente entrevista de Ronaldo Lemos sobre democracia e redes sociais da ao portal IHU da Unisinos.

Um novo modelo democrático pode emergir a partir das redes sociais porque há uma demanda mundial por transparência nos sistemas político, econômico e social. Esse processo já está em curso e é potencializado a partir da democratização do acesso à internet. O fenômeno avança, segundo Ronaldo Lemos, porque “a política não se confunde mais com o sistema político tradicional, especialmente com sua organização institucional em partidos políticos”.

Diferentemente das manifestações que se sucedem na Europa, Lemos frisa que o potencial de mobilização brasileiro nas redes sociais ainda não se concretizou porque a economia e a política estão estabilizadas. “Mas aos primeiros sinais de desarranjo ou tensão social mais pronunciada, podemos ter certeza de que veremos esse potencial realizado. Sem perceber, os brasileiros estão aprendendo o be-a-bá do ciberativismo nas suas práticas cotidianas na rede”, constata.

Na entrevista a seguir, concedida à IHU On-Line por e-mail, Lemos enfatiza que a participação de estratos sociais das classes C, D e E nas redes sociais “terá um impacto cada vez maior na política”. Isso porque, hoje, as 109 mil lan houses existentes no país contrastam com “2,5 mil salas de cinema, 5 mil bibliotecas públicas ou 2,6 mil livrarias”.

Ronaldo Lemos é diretor do Centro de Tecnologia e Sociedade da Escola de Direito da Fundação Getúlio Vargas, no Rio de Janeiro, e diretor do Creative Commons Brasil. É professor visitante na universidade de Princeton (nos EUA), professor titular e coordenador da área de propriedade da Escola de Direito da Fundação Getúlio Vargas no Rio de Janeiro. Fundador do Overmundo, pelo qual recebeu o Golden Nica do Prix Ars Electronica na categoria Comunidades Digitais. Foi presidente do iCommons de 2006 a 2008, organização voltada ao compartilhamento de conteúdo online.

Confira a entrevista.

IHU On-Line – A partir das redes sociais e das novas manifestações, pode surgir um novo conceito de democracia, que vá além da democracia parlamentar?

Ronaldo Lemos – Sim. E isso já está acontecendo. A política não se confunde mais com o sistema político tradicional, especialmente com sua organização institucional em partidos políticos. Um dos impactos das novas tecnologias é o fato de a questão da legitimidade ter voltado a possuir importância na sua dimensão substancial. O sistema político atual acaba privilegiando mecanismo de legitimidade formal, como o voto. Uma vez contados os votos, qualquer tipo de “recall” seria a exceção, aplicada a casos eventuais. No entanto, com as mídias sociais difundido-se cada vez mais, multiplicam-se as questões substantivas e a possibilidade de responsabilização dos agentes públicos de maneira contínua. Isso obviamente abre um descompasso entre os mecanismos formais de legitimação com a possibilidade permanente de debate substantivo das políticas públicas.

IHU On-Line – Então, as manifestações iniciadas nas redes sociais e que ganham as praças da Europa, por exemplo, podem transformar o conceito de democracia que conhecemos hoje?

Ronaldo Lemos – A democracia, como tudo mais, já está sendo profundamente transformada pelo turbilhão de novas mídias que se disseminam. Cada vez que uma mídia nova surge, emergem novos hábitos e práticas, alguns incontroláveis e outros imprevisíveis. Foi assim com a imprensa, o rádio e a TV, que mudaram profundamente a forma de fazer política. O mesmo acontece agora. Só que, nos últimos quinze anos, as mudanças nessa mídia, que começa a ganhar terreno cada vez maior socialmente, foram muito profundas. Não dá para achar que a democracia vai escapar das transformações provocadas por ela.

IHU On-Line – Como vê a iniciativa do governo islandês, que propõe a criação de uma nova Constituição redigida na internet, com a participação da sociedade?

Ronaldo Lemos – O exemplo da Islândia chama a atenção exatamente para a possibilidade de participação política contínua, que não se resume ao voto. Um dos membros do conselho constitucional, Thorvaldur Gylfason, afirmou exatamente isso: que no modelo tradicional, os cidadãos seriam chamados apenas ao final do processo, para referendar formalmente um texto produzido por um conselho fechado. Já com a redação online da sua Constituição, os islandeses estão sendo chamados a participar a todo momento durante a formulação do texto.

IHU On-Line – O que a Islândia pode ensinar ao Brasil e ao mundo com esta iniciativa?

Ronaldo Lemos – A Islândia mostra caminhos para a democracia e mostra que existe um déficit crescente de participação pública na medida em que se amplia o acesso à internet e outras mídias participativas. O exemplo islandês também é importante para mostrar a possibilidade do compartilhamento de responsabilidades. Governar é saber coordenar diferentes atores sociais, como o setor privado, a sociedade civil e assim por diante. Canais de participação ampliados ajudam a romper com ideias paternalistas sobre o Estado e visões românticas de que cabe ao governo resolver tudo. Desse modo, para além das formas de participação ampliadas, acredito que a tecnologia abre o caminho para o compartilhamento de responsabilidades pela tomada de decisões políticas.

IHU On-Line – O que há de novo nas manifestações políticas manifestadas nas redes sociais?

Ronaldo Lemos – Uma das novidades mais importantes é a demanda por transparência. Se a ideia é elevar o nível de participação pública e a qualidade do debate, é fundamental que os dados governamentais estejam disponíveis para análise pública. Dessa forma, surgem em todo o mundo movimentos que demandam a divulgação ampla dos dados gerados pelo governo. Mas não adianta só divulgar. Isso tem de ser feito em formatos que possam ser processados digitalmente por qualquer pessoa. Por exemplo, alguém pode criar um aplicativo cruzando dados do transporte público com criminalidade, estabelecendo correlações que antes não eram óbvias e favorencendo aprimoramento das duas questões. Para que isso aconteça, é fundamental ter acesso aberto à quantidade imensa de dados coletados por órgãos públicos.

IHU On-Line – Como a internet e a interação que se dá nas redes sociais suscitam a democracia?

Ronaldo Lemos – A rede ampliou a esfera pública de forma pronunciada. Mais do que isso, na medida em que a inclusão digital avança no Brasil, passa a participar dela um contingente enorme de pessoas que jamais teve voz, exceto pelo procedimento formal do voto. Vale lembrar que o Brasil tem hoje 109 mil lan houses, o que contrasta com suas 2,5 mil salas de cinema, 5 mil bibliotecas públicas ou 2,6 mil livrarias. A lan house é um espaço público utilizado hoje em grande escala pelas classes C, D e E. Não dá para desprezar a presença crescente da base da pirâmide nas novas mídias. E isso terá um impacto cada vez maior na política.

IHU On-Line – Como vê a criação do portal E-Democracia? Qual a importância dele no sistema democrático?

Ronaldo Lemos – Iniciativas como o E-Democracia são muito importantes. São peças em um cenário que precisa tornar-se cada vez mais amigável. O grande desafio de iniciativas como o E-Democracia é competir pela atenção das pessoas, que está já tomada por suas atividades cotidianas na internet (redes sociais, e-mail, etc). Dessa forma, para que iniciativas como essa realmente decolem e sejam relevantes do ponto de representatividade, é muito importante ir até onde as pessoas estão e não apenas esperar que elas terão tempo de participar. Outra estratégia que pode contribuir para o sucesso é criar procedimentos formais de participação, chamando os interessados, inclusive grupos de interesse, a participarem do canal para debate público daquele assunto.

IHU On-Line – Como classifica a participação política e social dos brasileiros nas redes sociais?

Ronaldo Lemos – O potencial de participação e mobilização é extraordinário no Brasil. Esse potencial ainda não se concretizou em toda sua dimensão porque estamos vivendo um momento de relativa estabilidade econômica e política. Mas, aos primeiros sinais de desarranjo ou tensão social mais pronunciada, podemos ter certeza de que veremos esse potencial realizado. Sem perceber, os brasileiros estão aprendendo o be-a-bá do ciberativismo nas suas práticas cotidianas na rede. Em momentos de tensão, essas habilidades poderão sim ser canalizadas politicamente.

(Por Paricia Fachin)

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Hiro

Via Smellycat

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“Ninguéns”

Via o ótimo blog Aldeia Gaulesa do companheiro Erick

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Afinal, quem está dividindo a classe trabalhadora?

Apresento texto das companheiras Rosane Silva, Rosana Sousa e do companheiro Dary Beck. Todos diretores da CUT nacional.

 

Temos assistido nas últimas semanas uma ofensiva por parte de algumas Centrais Sindicais em questionar as ações e princípios da CUT, afirmando especialmente que esta Central está em crise, rompendo com a unidade de classe e que seu destino é o isolamento das demais Centrais Sindicais. Negritaremos aqui alguns pontos que nos permitem reafirmar porque a CUT é forte, representativa, de massas, e, essencialmente, DIFERENTE DAS OUTRAS CENTRAIS SINDICAIS. Neste momento, a tarefa do movimento sindical combativo é ir às ruas, mobilizar e pressionar o governo, em todas suas esferas, para avançar e aprofundar as mudanças necessárias ao país.

Ao longo de quase três décadas de existência este compromisso com a classe trabalhadora, conquistado e reafirmado cotidianamente através da luta, foi-se traduzindo nos números que hoje consolidam a CUT como a maior Central Sindical do Brasil, da América Latina, e a 5ª maior Central do mundo. Longe de estar em crise, a CUT atualmente tem mais de 2milhões e 300mil trabalhadores e trabalhadoras filiados, a Força Sindical, pouco mais de 870 mil, a UGT 490 mil, a CTB 483 mil, a NCST 437 mil e a CGTB 436 mil. Somando as quatro demais centrais sindicais, temos cerca de 2 milhões e 400 mil sócios/as representados/as por outras Centrais, muito perto dos mais de 2 milhões e 300 mil representados/as pela CUT. Continue lendo

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Arquivado em Democracia Socialista, politica Nacional

#MinhaInternetCaiu

Uma ação no Twitter levou a hashtag do título para o 1º lugar dos TTbr hoje. A ação faz parte da campanha Banda Larga é um direito seu. Faço essa introdução para deixá-los (meus 3 leitores) com o excelente texto do Rovai. Segue.

#minhainternetcaiu e o ministério do “vai dar merda”

Hoje a blogosfera brasileira deu mais um sinal da sua força. Desde umas 16h, até umas 17h15, quando finalizei este post, a tag #minhainternetcaiu liderava o Trend Topics do Twitter.

A intenção é fazer com que o Ministério da Comunicação amplie o debate sobre o Plano Nacional de Banda Larga (PNBL).

Para que isso aconteça, as pessoas devem colocar sua assinatura numa carta que segue ao fim do post e enviar para o email gabinete@mc.gov.br.

Antes da carta, é necessário que se registre que se a fala do ministro Paulo Bernardo no II Blogprog foi, por um lado, bastante honesta; por outro, muito preocupante.

 

O ministro disse por duas vezes que não dá para tirar recursos do saneamento básico para implantar a Banda Larga no Brasil.

É um discurso velhaco.

Primeiro, porque uma coisa não se contrapõe a outra. O governo deveria fazer um plano de levar saneamento e Banda Larga para todos os brasileiros que não têm condição econômica.

Segundo, porque se utiliza um drama social e histórico do país para justificar a opção do governo de deixar um setor estratégico na mão do setor privado. Aliás, de grupos privados que se locupletam financeiramente prestando um péssimo serviço.

E por que isso é muito preocupante? Porque o governo Dilma tem se mostrado muito conservador e careta quando o tema guarda relação com a nova sociedade da informação e do conhecimento (sem contar com questões de ordem moral que digam respeito a direitos de setores da sociedade que sofrem preconceito – vide caso do Kit homofobia).

Desde a decisão da ministra Ana de Hollanda de retirar o Creative Commons da página do MinC, que tudo que se anuncia nesta área é decepcionante.

A presidenta deveria seguir o conselho do irmão da Ana e imediatamente instalar o ministério do “vai dar merda”. Porque se a postura do seu governo continuar nesse padrão em relação aos movimentos sociais mais conectados, daqui a pouco ela terá alguns milhares em marcha pela Esplanada pedindo a cabeça não só de ministros, mas talvez até a sua.

Este blogue adianta, que não deseja que isso aconteça. E por isso apela para que Dilma, se não for instalar o “vai dar merda”, ao menos passe a olhar os sinais da blogosfera com mais carinho e atenção.

Por que a internet, presidenta, não vai ser instrumento de pressão e mobilização apenas no Egito e na Espanha. Anote isso, porque este estúpido blogueiro, desta área, entende alguma coisa.

Segue o modelo de carta:

Prezado Ministro Paulo Bernardo Silva,

O PNBL foi um passo importante para as políticas de inclusão digital no país. Porém, com o andar das negociações, o governo está prestes a fechar acordos que trazem benefícios para as empresas de telecomunicações sem a imposição de controle tarifário, metas de universalização, parâmetros suficientes de qualidade e gestão pública das redes. Assim, pleiteamos:

1. Retomada imediata das discussões públicas das propostas do PNBL. O governo precisa garantir a interlocução com outros setores além das próprias empresas.

2. Definição de um plano robusto e condizente com a dimensão e com as necessidades do país. Um programa dessa importância não pode ser feito a partir da negociação no varejo e sem estratégia de longo prazo.

3. O PGMU-III deve ser modificado para retirar a possibilidade de as empresas descontarem os custos das metas de universalização e para fortalecer as metas regionais.

4. Estabelecimento do serviço de banda larga em regime público, com metas de universalização, controle de tarifas e garantia de continuidade.

5. Garantir à Telebrás as condições financeiras e estruturais para exercer a gestão pública do PNBL.

6. Estabelecer metas de qualidade que vão além de preço e velocidade, já que a prestação de serviço hoje tem sérios problemas que não podem continuar.

Atenciosamente

(coloque seu nome)

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